Por: Pettersen Filho
Virgínia Rodrigues: Formada Bacharel em Artes Plásticas pela UFES – Universidade Federal do Espírito Santo, portanto, possuidora de formação técnica acadêmica e conhecedora curricular de todos os estilos/escolas, quando municia pinceis, ou não, parece transbordar impulsivamente anos e anos de conhecimento intelectivo, racional e sistemático. Mas, não os daquela que um dia foi aluna, e sim o da mulher-fêmea, que se descobriu em si e que hoje leciona nas suas telas o amor espiritualizado e transcendente. Passa, inevitavelmente, aos olhos de quem a assiste, felina e falsa impressão de que o produto emoldurado, daquilo que produz artisticamente, é a mais pura manifestação do que seja lógica dedutiva. Mas, no entanto, exara através da aquarela, o fundo do ser perceptivo de uma mulher que pinta e si pinta, em indefectível maquiagem. Desnuda-se, em cada traço que arremete na tela. Exala indelével libido de que nos socorre a alma. Exibe lingerie intima e sedutora de uma mulher, ao mesmo tempo, madura de espírito e adolescente de amor. Transborda-se, a todo toque, em sensualidade urbana. A cada peça intima descartada de seus vários personagens de mulher. Da artista e retratista. Mostra-se, em meio a uma paisagem de prédios e poluição cosmopolitana, forte e sensível. Permeia, em meio a técnicas, tanto inéditas como secretas, a robusteza esquelética dos edifícios, e do homem moderno que vive encaixotado em si mesmo, somente resgatado por seus olhos super-humanos de mulher.Despe-se a todo prazer. Ofegante e apaixonada. Aspirando e inspirando. Em cada personagem ou construção que simboliza, num jogo meio que suicida de namorados. Próprio somente daqueles que se encantam pela vida. Com todos os gozos do usufruir e com todas as dores de quem se assume, no ziguezague dos seus pinceis e tintas. Na tortura sedutora da garota-mulher. Da artista. No carteado genocída das rosas. Como quem se despetala a cada momento no jogo fortuito dos amantes: Bem me quer, mal me quer.... Virgínia Rodrigues, enfim, eterno amar-nu!
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