TRATADO ORTOGRÁFICO DA LINGUA PORTUGUESA É ADIADO : "VADE MECUM” DA LINGUA PORTUGUESA"

Por: Pettersen Filho

É, sem sombra de duvidas, a Língua Portuguesa uma das mais difíceis de serem dominadas no mundo.

Tanto a Língua escrita quanto a Língua falada. O que são, na verdade, dois institutos completamente diferentes, razão pela qual, inclusive, os paises membros da CPLP – Comunidade dos Paises de Língua Portuguesa , que ratificaram um acordo para unificação ortográfica, previsto para vigorar a partir de 2008, não se entendem, tendo adiado a entrada em vigor das regras comuns de ortografia, que hoje, por exemplo, demandam que um livro escrito no Brasil tenha que ser traduzido, para venda em Portugal.

Supera o Português, em grau de dificuldades e flexionamentos possíveis, o próprio Mandarim.   A Língua mais falada no Planeta, pelos chineses, que alcançam à cifra de quase um bilhão e meio de pessoas, falando em intercambio, com seus cerca de 1.500 dialetos e símbolos gráficos diferentes.

Derivada do Latim antigo, falado na Grécia e incorporado pelos romanos, quando invadiram a Grécia,  o Português, tal como o conhecemos, foi levado para a Península Ibérica, quando, então, sofreu influencia dos mouro-islâmicos, na Idade Média, de quem adquiriu sufixos árabes, aportando no Brasil por volta do ano de 1.500, já como Língua própria e consolidada, trazida pelos navegantes, com Pedro Álvares Cabral e suas perecíveis caravelas, repletas de foragidos políticos, serviçais, eclesiásticos e soldados ignorantes, a quem couberam divulgar o Idioma , tendo sido inaugurado como Língua Nacional logo no primeiro ato da esquadra: A Carta de Pero Vaz Caminha ao Rei de Portugal, forjada em Português Culto , para a época, hoje completamente desconhecido.

Aqui chegando, em terras tupiniquins, a tal Língua , logo na primeira fundiagem, deparou-se com um dialeto local, falado por uma das diversas tribos de índios, que aqui habitavam: Tupis, Guaranis, Guajájaras, Tupinambás, Guaicurus, Maxacalizes , e outros, que se estendiam por um domínio territorial de mais de 8.500.000 quilômetros quadrados, de mata indômita e céu tropical. 

                     Neste ínterim, a Língua , vinda de fora e com sotaque ditongo de Portugal, encontrou logo de cara dificuldades intransponíveis, para se referir, a frutos e bichos desconhecidos, para os quais na Europa sequer havia um nome ou expressão própria, indo logo, incestuosamente, deitar-se com a primeira índia nua que encontrou, sinuosa e dada, em solo varonil, estabelecendo, desde já, o primeiro e “ sifilizador” contato com a Terra Pátria Mãe Gentil .

Não suficiente, a caminho da Terrinha-Brasilis , nossos colonizadores, entre os portos de Moçambique e Angola, embarcaram, ainda na primeira nau lusitana, uma negrinha africana, Tutsi ou Batusi , que, trouxe na bagagem consigo, bastante acarajé, água de cheiro e muita mandinga da Mãe África , transformando o Idioma falado, então, no Brasil Colônia, em um verdadeiro mosaico de dialetos, disformes e truncados: africanos e indígenas, além do próprio Português Clássico.

Foi somente em meados do Século XVIII, muito mais por motivos políticos, aos que gramaticais, quando o Marquês de Pombal, buscando diminuir a influencia dos Jesuítas na Corte,  proibiu o transito na Colônia, como Idioma , do Tupi - guarani , que, somente então, o Português foi admitido por Língua Oficial e obrigatória no País, ainda assim, incorporando muitas expressões africanas e indígenas, até hoje persistentes em paisagens tão comuns no dia a dia nacional, tais como: “ Mandioca ”, “ Vatapá ”, “ Anhangabaú ”, “ Ibituruna ” e Jequitinhonha .

Ademais, influenciado, romanceado, prostituído, somado, dividido e alterado, como o que é fato comum a tantas outras Línguas, por serem fenômenos em evolução, o Português, também na Colônia, no Império dos  Pedro`s e na República, recebeu várias influências, a destacar, em primeiro lugar, do Francês da belle époque , com suas “ garage ” e “ choufeur ”, e, depois, do Inglês , predominantemente americano, do pós-guerra, mal administrado e inculto, com seus “ fast-foods , hambúrgueres e milke-shakes ” de gosto duvidoso, mas, ora, de uso comum no cardápio tupiniquim, adicionando mais e novos temperos a Língua , e seus modismos.

Hoje, instaurada uma frágil tentativa de identidade comum às Línguas faladas pelos paises, ditos de Origem Portuguesa , assim como Brasil, Angola, Moçambique, Portugal, Timor e outras pequenas nações, dispomos, inclusive, de um inusitado Museu da Língua Portuguesa , com sede em São Paulo , destacando um Português, ora avantajado pelas gírias emanadas do “ Português Popular ”, falado nos morros e subúrbios das grandes cidades, e ora miscigenado com a “ Língua Cabocla ” do Brasil Interior.           

                      Assim, o Português “ brasileiro ”, do Brasil atual, incorpora tantos e quantos substratos, como também diversos jargões, ora falado na rispidez dos presídios, até inspirado nas expressões burocráticas do marketing do Mercado Financeiro e seus viés , que vão do Latim suis generis dos salões iluminados dos Tribunais, até as gírias  transitórias dos bailes funks , algumas nada eruditas, mas, ainda assim, afetas ao Povo.

Tudo isso, jogado as centenas, aos milhares, no caldeirão comum do grande liquidificador lingüístico nacional, cujos mentores são influências tão difusas quanto convergentes.

                       Vão além dos modismos artificiais, criados pela televisão e pela comunicação de massa, chegando até aos  neologismos determinados por avanços tecnológicos, como a Internet , o Orkut e a tecnologia virtual, influenciando determinantemente na consumação da Língua , hoje, falada e escrita no Brasil, em horizontes, ao mesmo tempo, tão próximos, e tão distantes, uns dos outros, reverberando, numa só grande caixa-acústica-lingüística-final , em um, ou mais, diferentes paises lingüísticos, convivendo em comum.

Assim, por fatores diversos, o Português, hoje praticado no Brasil, difere-se em muito da Língua trazida pelos navegantes de 1500, fazendo com que a 5ª Língua mais falada no mundo, depois do Chinês, do Inglês, do Espanhol e do Francês, encontre empecilho para globalizar-se e ser assumida, como defeito e impropriedades nacionais, de vários modos e com vários sotaques, pelo próprio Povo Brasileiro.

Neste ínterim lingüístico e gramatical, confuso quanto a Norma Culta , num País de prevalentes analfabetos, iletrados e leitores autômatos, onde se destacam uns poucos e inatingíveis doutores , não vistos dentre o Povo, de quem me assemelho, confesso que, diante de um mal súbito, cuja grafia não sei ao certo se é adjetivo ou substantivo , redigido na mesma palavra “ mal / u ” , ora com “l”, num caso, ou ora com “u”, num outro caso, socorro-me do Bill Gates e da Microsoft , quem, embora estrangeiros, lá dos “ states unaidets of américa” , senhores de uma outra Língua, estranha a minha, através do “ Dr. Word” , recurso do Windows (janela em inglês), automaticamente, grafa no programa “ Office” erros de concordância, sintaxe, plural, pontuação e grafia, indicando-me a expressão correta a ser utilizada, desavergonhadamente.

Aliás, Caetano Veloso, na década passada, já dizia: “Eu não tenho Pátria. Eu tenho Mátria. A Língua é minha Pátria” Então viva o “ Portuga Sacana” chamado Bill Gates, a sua Microsoft e o “ Dr Word ”: Infalíveis.


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