MORRE CHICO ANYSIO: “A ALEGRIA FICA TRISTE NO BRASIL...”

Por : Pettersen Filho

Morreu no ultimo dia 23 de Março de 2012 o Humorista, Locutor e Roteirista ChicoAnysio de Oliveira Paula Filho, nascido em 1931 na pequena Maranguape, Ceara.

Vindo, ainda novo, ao Rio de Janeiro, para onde se mudou com a família, em 1939, Chico Anysio, desde cedo, demonstrando uma sensibilidade sem igual, na Leitura que fez do Povo Brasileiro, nos cerca de 200 personagens caricatos que criou, em 1947 troca a promissora carreira de Advogado por Concursos em Rádios do Rio de Janeiro, onde se torna Locutor e Roteirista.

 

Nessa fase nasce um dos seus mais emblemáticos Personagens, no Quadro “Escolinha do Professor Raymundo”, em 1952, já na Rádio Mairynk, depois encenado em Rede Nacional, já nos anos Noventa, na Rede Globo de Televisão, com quem assinou contrato, ainda no ano de 1969, onde passou a encenar o Programa “Chico Anysio Show”.

De uma candura e ingenuidade, quase retardadas, os “Tipos” criados na “Escolinha do Professor Raymundo”, por exemplo, como “Rolando Lero” – uma espécie falastrona de malandro inofensivo, ou o “Senhor Galeão Cumbica” – um aficionado por Aviões, não havia no Brasil quem, de certa forma, não se enxergasse, em si mesmo, ou no próprio vizinho, alguns daqueles “Tipos”, urbanos ou rurais, em seu dia-a-dia, na fila do ônibus ou no trabalho.

Dono absoluto de um Humor, ao mesmo tempo, Inteligente, e Acessível, em que o Povo Brasileiro podia se enxergar, não só pelo rigor clássico dos seus Textos, sempre críticos a Organização Social e Política brasileiros, Chico Anysio conseguia montar, na indumentária dos seus “Personagens” e nos seus coquetes populares – Inesquecíveis, podemos citar, o Baiano Afeminado “Paínho” ou a Respeitável Senhora Gaucha, e seu inseparável telefone, com quem se comunicava com o próprio “General Batista”, a “Velha Salomé”, que, em plena Ditadura, provocava estiletadas no próprio Regime , quadros perfeitamente compreensíveis, mesmo ao mais Comum , e menos Erudito , dos brasileiros.

O quê dizer, então, do “Vampiro”, Caipira e Desastrado, com complexo de inferioridade, “Bento Carneiro – Um Vampiro Brasileiro”, vindo do quem e do além, ou do Egocentrista Ator Global, “Alberto Roberto”, completamente incompetente, sem conseguir firmar vistas no próprio umbigo, numa referência clara aos “Superpoderes”, então, da própria Emissora , que o exibia, patrona, por longa época, do Regime Militar.

Indescritíveis inesquecíveis imensuráveis , como o próprio Chico , seus “Personagens”, de vida eterna, aliás, como o próprio Chico , certamente, não morreram, mas permanecerão encarnados na faceta diária, e no cotidiano, do próprio Povo Brasileiro , quem, tão bem Chico Anysio interpretou.

Enfim. Chico Anysio não foi um, foi vários...

Viverá para sempre na Alma Caricata de cada um de nós: “Bozós”, “Azambujas”, “Roberval Taylores”, e outros mais, espalhados, Brasil afora.

 

 

ANTUÉRPIO PETTERSEN FILHO É ADVOGADO MILITANTE E ASSESSOR JURÍDICO DA ABDIC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DEFESA DO INDIVÍDUO E DA CIDADANIA, QUE ORA ESCREVE NA QUALIDADE DE EDITOR DO PERIÓDICO ELETRÔNICO “ JORNAL GRITO CIDADÃO”, SENDO A ATUAL CRÔNICA SUA MERA OPINIÃO PESSOAL, NÃO SIGNIFICANDO NECESSARIAMENTE A POSIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO, NEM DO ADVOGADO.