NÃO HÁ BANCO CENTRAL INDEPENDENTE!

  • Imprimir

Por : M. Pacheco

Ou o BC é um órgão de governo. E tem que cumprir a política traçada pelo presidente escolhido pelo povo para executá-la, de acordo com o programa apresentado antes das eleições; ou é um Banco Particular como o FEDERAL RESERVE (USA) ou o BANCO CENTRAL EUROPEU que foram criados à imagem e semelhança do Banco da Inglaterra - primeiro Banco Particular autorizado pelo Estado a emitir a moeda nacional. O Banco Central Privado emite a moeda e empresta ao Governo.

 

Nos países em que o Banco Central é um órgão do Governo, e o mandatário não interfere na política monetária, também não se pode dizer que o Banco Central é independente. Não existe essa independência simplesmente porque quem decide o que o Banco Central vai fazer é o Mercado Financeiro que empresta dinheiro ao Governo, e tem o maior interesse em decidir quanto vai receber de juros.

É preciso não confundir AUTONOMIA OPERACIONAL com INDEPENDÊNCIA TOTAL Em agosto de 2011, quando Dilma baixou os juros da Taxa Selic de 12,5% para 12%, não houve surpresa. O mercado financeiro já sabia que a presidenta ia reduzir os juros. Aliás, o “mercado” já sabia isso desde maio de 2010 (em Nova York) quando ela deixou claro que, se eleita, o Banco Central do Brasil teria AUTONOMIA apenas OPERACIONAL.

Desde então, até março de 2013, enquanto a taxa Selic baixava, a popularidade de Dilma subia em todas as classes, menos na dos banqueiros. Até por que, os brasileiros já haviam percebido que a mãe de todos os problemas do Brasil é a DÍVIDA PÚBLICA que consome um terço do Orçamento da União e não permite que sobre dinheiro para as principais necessidades.

Nesse período foram reduzidos 5 pontos percentuais nos juros que o governo paga aos agiotas. E cada ponto percentual representa 20 bilhões de reais, que o governo deixa de pagar por ano, totalizando 100 bilhões de reais. Nota: Para se ter uma ideia do que pode ser feito com esse dinheiro, o Orçamento da União para este ano, destinou R$ 81,1 bilhões de reais ao Ministério da Educação. Precisava ser feito alguma coisa para reduzir o poder de Dilma.

NÃO É COINCIDÊNCIA Em 09/4/2013 o FMI declarava que o BC do Brasil precisa ser independente para poder combater a inflação; E em 17/4/2013 o Copom decidiu aumentar a taxa Selic que estava em 7,25 para 7,50%. Logo depois, o “mercado” passou a tratar o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, como se ele tivesse decidido exercer a AUTONOMIA TOTAL que dissera ter recebido da presidenta antes de tomar posse.

Em 27/05/2013 a página do Banco Central informava que “O presidente Alexandre Tombini, foi eleito por consenso, co-presidente do Regional Consultative Group Americas – RCGA (Grupo Consultivo Regional das Américas) do Financial Stability Board –FSB (Comitê de Estabilidade Financeira).

Criado em 2009, o FSB tem por finalidade discutir temas de estabilidade financeira, aprimorar os padrões internacionais de regulação financeira e promover sua adoção. Já o grupo regional do FSB foi criado em novembro de 2010, com o objetivo de estender as discussões do FSB para os países não membros da América Latina. Os membros do RCGA e do FSB são: Brasil, Argentina, México, Estados Unidos e Canadá. Os membros do RCGA, não membros do FSB são: Bahamas, Barbados, Bermuda, Bolivia, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Cayman, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai.

E para não deixar dúvida, em 6/6/2013 o noticiário informava que “o presidente do Banco Central do Brasil – Alexandre Tombini – foi eleito presidente da Junta de Governo do Centro de Estudos Monetários Latino-americanos (Cemla). A votação ocorreu durante o 95º Encontro de Presidentes de Bancos Centrais da América Latina, em Washington, Estados Unidos. Ele foi eleito por unanimidade. O mandato será de dois anos.

Em 10 de julho o Copom, sob a direção de um Tombini todo poderoso, procedeu a mais um aumento de 0,5% na Taxa Selic, elevando-a para 8% e o mercado já avisava que ela vai chegar em 9%.

RESULTADO

Nesse curto espaço, parece que o Brasil virou de ponta a cabeça. Os institutos de Pesquisa já dizem que Dilma não vence no primeiro turno; a mídia encheu a bola dos manifestantes que resolveram ir para as ruas em junho, e só um milagre do Papa – que não gosta de banqueiros – poderá dar um basta nessa euforia liberal que já exige que o Congresso Brasileiro conceda a INDEPENDÊNCIA TOTAL ao Banco Central do Brasil.

Nota II – Será que um assunto tão importante pode ser discutido fora de uma Assembleia Constituinte?

Pior é que foi em 1913 (está fazendo 100 anos) que o Senado Norte-americano vendeu o direito de emitir o dólar para o Fed. E 13 é um número de sorte para os banqueiros.

M. Pacheco  

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.