VERDADE OU MENTIRA?

Por : Roberto Romanelli Maia

Eu estava na fila do banco, pronto para pagar algumas contas, quando  ouvi o seguinte comentário:

“homem não presta”.

Registro que não era a primeira vez que tinha ouvido de uma mulher essa “pérola” de preconceito e de falsidade, como se ela fosse de fato uma verdade absoluta.

Acredito que, no caso, a mulher se sente mais ferida pelas decepções e pelos sofrimentos,  causados por homens quase sempre machistas e despreparados para o amor que desconhecem.

 

 

Mas não pode ser ignorado ou esquecido que o amor entre homem e mulher é sempre a quatro mãos e que nos relacionamentos, quando algo não adequado ou não dá certo, não aconteceu esse desencontro apenas de um lado só.

 

Existem muitas mulheres que oferecem pouco de si, enquanto participes de uma relação, mas que estão o tempo todo se queixando dos homens.

 

A questão que se apresenta, que merece ser  discutida, é qual a razão dessa atitude e se seus homens deveriam ficar ao lado delas fiéis a uma companheira que ao final da relação vai sair batendo pé, esbravejando e dizendo que “ os homens não prestam”.

Sim, é bem mais fácil sair gritando aos quatro ventos que homem não presta. Afinal, afirmar isso é comum e conta com o apoio da maioria das mulheres. Bater na fidelidade masculina virou esporte predileto de mulher ressentida; para uma mulher de verdade, certamente, sempre haverá um homem que presta, e que não trai por principio, sua parceira.

 

Certas mulheres sentem prazer em afirmar que o homem não presta, mas não sabem escolher com cuidado, de forma qualitativa e seletiva, o homem com quem vão manter uma relação afetivo-sexual.  Consideram-se quase sempre  super mulheres, lindas, maravilhosas, inteligentes, cultas, preparadas, ETC, no entanto trazem de experiências passadas traumas, cicatrizes e sequelas piores do que as de muitos soldados, quando voltam da guerra.

 

Observem que muitos homens, que não são principes encantados contudo, são especiais,  por vezes estão sozinhos e não são necessariamente os mais bonitos, simpáticos, ricos ou bem sucedidos como os que “não prestam”.

 

Eles também encontram dificuldades, quando buscam uma amante, cúmplice, amiga e companheira, que seja uma mulher especial. Eles saem à luta e batalham como elas.

 

São aqueles que sabem apoiar a mulher em suas decisões, que incentivam seus projetos, e que nem sempre são jovens, sarados, capas de revista, modelos, nem empresários ou executivos milionários.

 

Serão bons maridos, se a mulher souber encontrá-los e valorizá-los.

 

Aprendi com o passar do tempo que a mulher que terá mais chance de encontrar um homem que presta é aquela que não pratica a chamada “filosofia de botequim”, que não revela em sua face, nem no seu comportamento, nas suas ações e atitudes, toda a amargura e o sofrimento que está contido dentro do seu ser. São aquelas que não defendem regras, normas, nem uma forma de viver, de ser, de pensar, de amar, sem sentido, quase sempre, ultrapassadas.

 

Agora, quando uma mulher insiste em falar do seu passado que está repleto de altos e baixos, surge um claro  diagnóstico: ela também está na mesma fila dos que não “prestam”. Ela não se valoriza, buscando seguir em frente. Pior, não corta relações com o seu passado e muitas vezes ainda as mantém com seus parceiros anteriores usando para isso mil artificios, justificativas e argumentos.

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Após essa reflexão, olhei para trás naquela fila, para ver quem era a mulher que afirmou com tanta convicção que os homens não prestavam. Deparei-me com alguém,cuja fisionomia revelava sua amargura e seus preconceitos, provavelmente tão confusa e perdida quanto os homens que a dispensaram no passado, após a primeira noite de amor.

Como tantas outras, esqueceu que  toda relação é constituida de duas pessoas e, que portanto, existem mil fatores que atuam e que interagem, para que ela seja ou não bem sucedida.


Sim, espanta qualquer homem a generalização feita pela mulher do “tomar um por todos”, servindo-se de suas experiências passadas, para acreditar e afirmar que foi rejeitada, ou traída sem nenhuma razão. 

De forma infantil e cômoda, ela  se coloca como se nada do que acontece na sua vida afetiva-sexual está ligada ao que ela é. Como se isso fosse possível e real!

 

Roberto Romanelli Maia  - Direitos Autorais Reservados;

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