A VELHA POLÍTICA DE LULA E MARINA

  • Imprimir

Por : Juarez Cruz  

Hoje, dia 05 de setembro, estamos ha trinta dias de mais um eleição e parece que não teremos motivos para comemorações.

Lembro que há exatos doze anos, mais precisamente em 2002, eu, como todos que atuavam no movimento sindical, estudantil, nos movimentos sociais e partidos de oposição ao PSDB/DEM, travavamos uma luta desigual com as forças políticas e o poder econômico da época, para defender a candidatura de Lula a Presidência da Republíca.

 

Chegar à presidência era uma meta perseguida durante três eleições e acreditávamos que com a eleição de Lula - um operário e sindicalista - as forças retrógadas, reacionárias da direita que acreditávamos infestar o poder durante tantos anos, seriam finalmente destituidas do berço esplêndido do poder.

A luta pela eleição de Lula foi desigual, árdua e o enfrentamento contra os que estavam no poder deu-se das mais diversas formas, principalmente contra as oligarquias dos velhos coroneis que sempre detiveram o poder econômico e política do país e faziam de tudo para não ver um operário sentado na cadeira do Palácio da Alvorada.

No dia 27 de outubro de 2002, no segundo turna das eleições, trabalhei duro neste dia, bancando minhas despesas e do pessoal que coloquei para fazer boca de urna (como sempre o fiz nas eleições) e, no início da noite dirige-me ao Rio Vermelho para acompanhar acontagem dos votos e rever os companheiros que se amontoavam no Largo da Dinha para comemorar a grande vitória eleitoral jamais vista neste país. Era uma festa digna de uma militância que trabalhou e acreditava nas mudanças tanto apregoadas por Lula e todos os que o apoiavam.

Porém, Lula não esperou para sentar na cadeira de presidente e mostrar que tudo que pregou quando na oposição e durante a campanha presidencial não passava de uma farsa e na noite de 27 de outubro de 2002, quando já era aclamado presidente com 53 milhões votos, ele fez o que nós do partido e da militância não acreditavamos que viesse a fazer: deu sua primeira entrevista exclusiva, como presidente eleito, ao Jornal da Globo. O jornal que sempre jogou contra o movimento sindical, os movimentos populares e as três candidaturas de Lula a presidente da República.

Com este gesto Lula estava mostrando sua nova cara, sua nova/velha forma de fazer política, como se já não bastasse a Carta ao Pavo Brasileira feita dias antes das eleições com o objetivo de acalmar o mercado financeiro, os grandes investidores, o agronegócio e angariar o apoio dos militares e dos incrédulos parceiros internacionais caso fosse eleito presidente.

Naquela noite fiquei intrigado porquer que Lula não reuniu toda imprensa para fazer uma coletiva e o fez primeiramente com a Rede Globo de Televisão, que hoje ele chama de “certa imprensa”.

Bem, ele fez o que todos os presidentes que os antecederem fizeram e daí para frente ele não ia ser diferente e deu no que deu: fez acordos com partidos de direita, com os velhos coroneis da política brasileira (Sarney, Renan Calheiros, Maluf, Michel Tamer e outros), dos mais inescrupulosos aos mais corruptos. Institucionalizou o tama-la-da-cá, a compra de votos e de apoios políticos para aumentar sua base parlamentar no Congresso que resultou no maior escândalo político já visto no Brasil que foi caso do mensalão. Ele fez tudo ao contrário do que pregou durante toda sua vida política. Um farsante.

Dia cinco de outubro vem ai e já temos duas candidatas polarizando as eleições para presidente: Dilma e Marina Silva.

Não falarei de Dilma, por que ela é a candidata da situação, cria de Lula e parte da velha política. Falarei de Marina, ex-empregada doméstica, ex-seringalista, ex-PT, ex Ministra do Meio Ambiente, ex-PV e defensora de uma “Nova Política”.

A campanha mal começou e Marina que era adversário da bancada ruralista no Congresso, passou a amigo agronegócio e até parece que não é mais contra os trangênicos. Não provoca medo no mercado nem no empresariado, simplismente porque diz o que eles querem ouvir. Cada vez que sobe nas pesquisas ela muda o tom do discurso, e já admite possíveis alianças com quem não se enquadrava na sua nova política que já está ficando velha.

Se houver 2º turno entre Marina e Dilma, vocês acham uma composição com o PSDB-que traz o DEM a reboque é algo impossível de pensar? Se Marina vence a eleição vocês acham que o PMDB, com seus sangues sugas de plantão (Sarney e Renan), vai querer ser oposição e não participar do bôlo da festa? Nunca.

E os oportunistas de plantão, mas que tem votos no Congresso, como Maluf, Gilberto Kassab, Carlos Lupi e outros ficarão de fora fazendo oposição? Não ficarão.

A oposição ficará a cargo do PT e do PCdoB. Estes voltarão as suas origens e farão o que deixaram de fazer nestes últimos doze anos que é oposição radical a um possível governo de Marina. Com eles teremos de volta as manobras para inviabilizar as pautas de votações no Congresso; as grandes mobilizações populares, greves, greves e mais greves, e o que for possível fazer para tentar inviabilizar um governo desde que não seja o deles.

Marina sabe que para governar terá que fazer as mesmas alianças que seus antecessores, fizeram. Ela precisará fazê-las em função de não ter quadros que lhe dê sustentação no Congresso Nocional e pessoal em quantidade e qualidade para ocupar os cargos no Governo Federal. Foi assim com Collor que foi eleito por uma estrutura partidária menor do que a dela teve que ficar nas mãos do PFL. Foi assim com Fernando Henrique que teve uma coligação maior e ainda assim mesmo teve que comer nas mãos de ACM. O mesmo aconteceu com Lula e hoje acontece com Dilma que come nas mãos do PMDB, de Sarney.

Tomara que por causa das dúbias posturas de Marina-que hora diz uma coisa e hora diz outra-ela não venha perder esta eleição. Mas se ganhar certamente fará como seus antecessores e não resistirá a uma segunda reeleição, contrariando, mais uma vez, o que dizia logo no início da campanha que não aceitaria um segundo mandato. Vamos em frente.

 

 

Juarez Cruz

Consultor e colunista

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Av. Artur Silva, 41, Acupe de Brotas-Salvador-BA

CEP: 40290-060