GOOOOOOOL...: A COPA DA COZINHA É NOSSA!

Por : Carlos Roberto de Souza

 

O mês de junho está chegando e com ele a grande expectativa: A Copa do Mundo de Futebol, eta!!! O que me espanta é saber que durante os jogos, uma amnésia coletiva tomará conta do país. Até os índices de roubo e furto vão despencar, já que a malandragem patriótica estará – como todo cidadão – torcendo pelo nosso país. Como dizia o escritor e jornalista Nelson Rodrigues: "O Brasil é a pátria de chuteiras".

 

Antes da partida inicial, porém, o corre-corre e a euforia tomarão conta da cidade em proporções inimagináveis: o trânsito (que já era caótico) será a imagem surrealista do próprio marasmo; pacientes espalhados nos corredores de hospitais detentores de "ISO" aguardarão pacientemente a chegada de um médico.

O Congresso, o Senado, o Itamaraty, entre outras Instituições farão brindes regados a Moët Chandon. O (1.9.0) estará distribuindo a famosa evasiva: "Estamos atendendo uma ocorrência"...

A questão é: a Copa do Mundo faz milagres, ou o povo brasileiro é milagreiro? 

Creio que a primeira questão se encaixe nas entrelinhas, pois embora o povo não caminhe sobre as águas, ele se afunda nas enchentes;

Ele não multiplica os pães, contudo, sua fome é inesgotável;

Ele não tem um Judas à sua direita, mas traidores de colarinho branco;

Ele não foi visitado pelos reis magos, mas encontra em cada esquina mágicos capazes de fazer sumir um carro, uma carteira, uma motocicleta...

Por fim ele carregará a cruz que não será fincada no calvário, mas no morro onde o "pó branco" é a redenção.

... E a bola começa a rolar. Agora o bicho pega (ué, não pegou ainda?).

O lateral corre, dribla um, dois, três, cruza a bola com atitude. O centroavante corre até a área, mata a bola no peito e antes que ela toque o chão ele a chuta.

A respiração cessa, o coração dispara, o nó na garganta enforca; a bola cobre o goleiro, balança a rede...

Um grito uníssono de alegria é ouvido em todo país. Quem dera fosse um BASTA!

 

*Poeta, editor e membro da Academia Machadense de Letras.

 

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