COMENTÁRIO AO LIVRO: KITANDA DO BEM DIZER

Por : Prof. Germano Machado

O livro Kitanda do bem dizer, do agora em outros planos, mas sempre dentro de nós, dos seus amigos, de sua família, de todos que o conheceram, Fred Souza Castro, em edição póstuma, Editora Mondrongo, este livro mostra perfeitamente sua personalidade, mostra o jornalista, o escritor, o poeta. Como escreveu nas orelhas do trabalho Mabel Velloso: "Kitanda do bem dizer nos dá, como um presente, versos de Fred.

Versos escritos com o coração menino daquele homem que viveu em poesia, com poesia". Em seguida, tanto Mabel como Maria Antonia Ramos Coutinho, vão pouco a pouco demonstrando como foi o escritor Fred em algumas de suas produções - Livro de GavetaCanto Canaviá e Massapê de Sesmarias. E agora, há uma informação que nesse conjunto não foi colocado o livro de poemas inédito Versos Sacânicos, por ajustar-se a uma publicação intitulada... Kitanda do Maldizer. Nessa introdução, a riqueza dos detalhes e a demonstração, por assim dizer palpável, do Recôncavo baiano, sobretudo Santo Amaro, São Gonçalo dos Campos, faz com que se lembre de que Fred com esta obra Kitanda do Bem Dizer não é só memorizá-lo e sim tentar uma futura biografia detalhada de Fred, onde este livro será como que o centro vital do trabalho. Quando escreveu Massapê de Sesmarias, fiz um artigo publicado em A Tarde, já antevendo a sua trajetória.

 

 

No seu falecimento, A Tarde, onde trabalhou, e a TVE, divulgaram imediatamente e moções de pesar vieram do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, iniciativa do Conselheiro Filemon Matos pelas chamadas, hoje de tanta importância, redes sociais manifestaram Germano Machado e o CEPA, André Setaro, sempre o homem de análise do cinema e, entre os que não estão mais aqui, João Ubaldo Ribeiro, Paulo Gil Soares, assim como Caetano, Betânia, membros do Quarteto em Cy, Hora da Criança e, pela capa do livro aí apresentada, se vê o Recôncavo baiano, é só o leitor ler e ver. Não precisa mais. De modo que, com saudade, todos nós vemos em Fred Souza Castro ou Frederico José de Souza Castro aquele tipo humano de uma época, de um século que se arrasta até este 2015 e existenciou com toda dignidade, bondade, amor.

 

Antecedendo um ou dois anos, a passagem de Fred, nós nos encontrávamos aos domingos no Cine Glauber Rocha e tínhamos um afeto, uma conversa dialogal pura. Tudo o que foi de negativo nos tempos citados em que vivemos os dois, tudo isso se transformou em amizade, em coração, no sorriso de quem era física e espiritualmente belo. Lembrei-me que, no domingo ele me entregara um conjunto de DVD's que agora se acham para trabalho técnico na mão do amigo e nosso amigo, meu e de Fred, o documentarista Bruno Lobão. Estas linhas são muito pobres e muito fracas para dizer o que todos nós que o conhecemos achamos de Fred. Estivemos no lançamento de Kitanda do bem dizer, eu e Julio Vaccarezza, do CEPA, presentes. E, posteriormente, parte de sua família, ou seja, Griselda e Arabela, estiveram numa reunião do CEPA, onde tudo isso relembramos e tudo isso ficou luzindo e reluzindo em nossos corações e em nossas saudades, porque, disse Heidegger, que ninguém pode escrever ou lembrar de alguém já morto sem a saudade.

 

Prof. Germano Machado – fundador do CEPA – Círculo de estudo, Pensamento e Ação, Membro das Academias Baiana de Educação, Mater Salvatoris e de Letras e Artes do Salvador.

 

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