O SILENCIO DO HOMEM MATA

Por : Roberto Romanelli Maia

As taxas de suicídio entre os homens crescem cada vez mais e o anterior equilíbrio entre sexos, em relação ao suicídio ano após ano diminuiu, revelando que os homens estão se matando numa taxa maior que a das mulheres.

Ao contrario da maioria das mulheres, os homens relutam em buscar ajuda, usam drogas e bebem mais que as mulheres, vitimados por  impulsos de autodestruição com maior frequência que elas.

Sim,  os homens não falam, porque são preparados e treinados para não falar, nem se abrir, revelando seus verdadeiros e mais profundos sentimentos e emoções.

 

 

A educação dos homens e sua inserção na família e na sociedade, em muitos casos, é baseada no machismo, no sexíssimo, numa incrível submissão à mídia e em seguir o que pensa a maioria dos outros homens, que apoiam certos comportamentos, ações, atitudes e mentalidades da maioria por medo, conveniência ou modismo.

 

Desde que nascem os homens são ensinados e preparados para serem os mais fortes, superiores, independentes e autossuficientes prontos para não mostrarem qualquer viés de sensibilidade ou de fraqueza.

 

Em síntese, são pouco a pouco ensinados e guiados, à medida que deixam de ser adolescentes, a pensar que abrindo suas próprias emoções e sentimentos se identificarão com as mulheres; eles não se permitem agir dessa forma, porque acreditam que apenas as mulheres o fazem.

 

Assim, quando as mulheres tentam mostrar aos homens que quando são possessivos, ciumentos, passionais e violentos em relação ao outro sexo, eles estão a trilhar um caminho tão prejudicial para eles  quanto para as mulheres muitos, por não estarem abertos a uma nova visão e a novos conceitos de como melhor viver, ser e amar.  Preferem conservar  um silêncio permanente e contínuo como componente inerente a sua personalidade.

 

Eles se mostram frágeis e temerosos, acreditando que ao abandonarem o silêncio, muitas vezes estarão abrindo uma porta para serem rejeitados nos ambientes totalmente masculinos.

 

Aprenderam a aceitar que as expressões atuais da identidade masculina, a raiva, o ódio, o desprezo pelas mulheres, o racismo e a discriminação em suas várias formas e aspectos,  década após década, tornaram-se aceitáveis em grande parte das famílias e da sociedade.

 

É fácil reconhecer e constatar que sempre se ensinou aos homens que eles têm um Ponto de Ruptura, e que esse Ponto de Ruptura envolve uma aceitação social camuflada, desde uma briga de bar até a violência doméstica.

 

Muitos homens acreditam de fato na inferioridade da mulher diante deles e quando violentos se justificam adotando a postura que, por serem homens fortes não aceitam diante deles uma  Mulher Provocativa em Excesso, uma Mulher que os Traia ou Uma que Passou dos Limites.

 

Eles acreditam de fato que a violência traz uma solução para seus conflitos, e se permitem usar do silêncio de uma forma autodestrutiva.

 

Assim, morrem sem mesmo saber que já estão quase mortos .

 

A maior questão, que enquanto homens nos deparamos, hoje em dia, é não nos deixarmos subjugar por um medo  que não nos permita conversar com a mulher de forma saudável sobre nossos estresses, inseguranças, traumas, desconfortos e perplexidades.

 

Se não soubermos observar os sinais de sobreaviso quanto a tendências suicidas, manifestas por pessoas com quem convivemos, um deles aquele de não se abrir nem falar, sobre si mesmo, não  derrubaremos a parede inexpugnável criada por uma mentalidade e uma personalidade tóxica que impede de nos expressarmos aberta e adequadamente.

 

Em nada nos ajudará conselhos ou afirmações que busquem ver nos homens uma  outra configuração cerebral, transferindo para as mulheres o cuidar das nossas deficiências emocionais, para evitar ainda mais conflitos.

 

Não resolve tratar dos sintomas, e não da própria doença, e de nada adianta adotar visões antiquadas e superadas sobre o relacionamento entre homens e mulheres.

 

Em geral, os homens  são encorajados pela sociedade para jamais demonstrar fraqueza, e ela pouco a pouco com o passar dos anos incutiu neles uma imagem da saúde mental como algo imaterial. Isso ocorre há tanto tempo que a depressão masculina passou ao largo como um sério problema a ser tratado. Sim, a maioria dos homens não busca ajuda para suas cabeças, mesmo que estejam vivendo situações extremas que possam levá-los ao suicídio.

 

Realidades como a depressão masculina passam a ser motivo para que os homens se achem os mais corajosos e de certa forma heróis porque não falam sobre ela.

 

Esquecem que silêncio não é coragem, no que diz respeito à saúde mental, pois ele isola o ser humano num castelo sem portas nem janelas.

 

Quando muito os homens falam uns com os outros sobre questões ligadas a seu próprio sexo, e o mesmo acontece com as mulheres.

 

Alguns homens têm o hábito de discutir questões ligadas à sexualidade com amigos, e mesmo sendo esse um assunto pessoal, eles não parecem se importar de falar sobre tais temas e experiências pessoais. Mas quando se trata de  saúde mental, surge um silêncio que raramente é rompido e vencido.

 

É por essa razão que quando o sexo masculino cultiva o mito do Homem Forte, superior à mulher, se isolando cada dia mais, ele está se aproximando rapidamente do suicídio, frequentemente por motivos completamente evitáveis.

 

Sim, vivemos num mundo, onde contatamos que os homens são criaturas complexas demais com tendências agressivas que os tornam cada vez mais capazes de  matar mulheres, animais e outros homens que não apreciam. Inegável que essa essência destruidora também o está levando a morrer pelas próprias mãos, por não conseguir entender seu real papel na família e na sociedade em que  vive.

 

Ser ou se sentir demasiado forte não é uma força, nem é uma fraqueza. É apenas o que é e ponto final.

 

Agora, se os homens preferem agir e fazer seja o que for, porque querem ser fortes e viverem de forma livre e independente, não querendo morrer prematuramente,  conversem com as mulheres e se abram revelando seus sentimentos e emoções de forma mais natural; derrubando os estereótipos e o preconceito que os deixam e os mantêm em silêncio.

 

Os números não mentem e desde a virada do século constata-se que o câncer não é a doença que mais mata os homens, pois comparando-o com o suicídio, registramos que há muito mais atenção e cuidados da sociedade em geral em  curar tumores. Essa disparidade se deve ao fato de que a maioria dos homens não sabe amar a si mesmo e nem sequer sabe o que significa o verdadeiro amor.

 

 

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.