“O ESTADO TEOCRÁTICO NORTE-AMERICANO DE GEORGE WALKER BUSH”

Por : Pettersen Filho

               Democracia é uma palavra de origem latina a qual aprendemos, logo nos primeiros anos do ensino fundamental, cujo prefixo “demo” significa povo e a qual o sufixo “cracia” quer dizer governo: Portanto, democracia é o governo do povo.

               Inaugurado, ainda na Idade Antiga pelas primeiras civilizações que habitaram o planeta, tal conceito teve lapidação emblemática na Grécia Antiga, nas praças públicas e anfiteatros legislativos, onde a ação cidadã era exercida diretamente pelo povo, em reuniões rústicas, nas quais as propostas e os julgamentos eram votados diretamente pelo cidadão, ainda sem a interposição de vereadores ou deputados que dispusessem de mandato eletivo.

 

               Tal regime, o democrático, veio, já naquela época, para suceder as ditaduras monocráticas e os regimes monárquicos ortodoxos, muitos dos quais baseados em organizações despotatárias familiares e clãs, ou nas teorias da origem divina dos monarcas, mais tarde reeditadas e aperfeiçoadas na Idade Média e no Absolutismo.

               Contudo, como já se sabe, é a História uma ocorrência cíclica, muitas vezes encíclica, denotando-se ao longo da existência humana alternados períodos de governo, ora absolutistas, ora democráticos, sempre adaptados ao contexto histórico de cada povo e de cada época.

               Nos dias de hoje, quando pronunciamos a palavra “democracia”, a primeira idéia que nos ocorre, como antônimo paradoxal de tal idéia é a figura típica da República Islâmica do Irã, conotada pela vigência de um regime miscigenado por regras democráticas, onde há de fato eleições livres, mas também, marcado pelo estabelecimento de um Conselho de Clérigos que de fato detêm o poder, cabendo-lhes necessariamente a ultima palavra sobre as diretrizes do Estado, convertendo-se o país, então, em um Estado Teocrático puro.

               Contudo, na Era Moderna, foram os congressistas norte-americanos reunidos na Philadelfia, em “fourth of july, 1776” , sombreados por personagens históricos como George Washington e Beijamin Flanklin, ícones da Independência/Revolução Americana, quem deram real sentido, o atual, a palavra “democracia”: Governo do povo.

               De lá para cá, desde que se reuniram no Congresso da Philadelfia e tracejaram o rascunho da Constituição Americana, contudo, a postura liberalizante e democrática dos EUA muito mudou.

               Depois de incendiar o mundo com seus ideais de liberdade, ao desaguar na queda do absolutismo com a Revolução Francesa, até a deflagração generalizada dos movimentos anti-colonialistas, hoje, sendo a maior potência militar e econômica do planeta, tomados pela perplexidade de ver seus interesses nacionais questionados pelo mundo afora, os EUA finalmente se deram conta que estão diante de um dilema atroz: Devem Eles exaltarem os valores da Democracia, correndo o risco efetivo e real de verem seus inimigos palestinos e muçulmanos ascenderem ao poder pelo voto popular, ou devem Eles traírem seus ideais republicanos para patrocinarem regimes forte-totalitários, como os do Egito e da Arábia Saudita ?

               Pacificando a questão, enfim, tomado por valores excêntricos, tanto antiquados como de essência eminentemente religiosa, George Walker Bush, atual presidente dos EUA, quem defende por dogmas de fé protestante ortodoxa a Lei anti-aborto e que é contra a união gay, da mesma forma e com o mesmo brilho que enverga o velho chapéu e o cinto de fivela estilos cowboy no seu rancho no Estado do Texas, baseado em convicções empíricas e puramente religiosas, porquanto faz um pronunciamento ou outro justificando atrocidades como Guantánamo e a invasão da privacidade do cidadão em nome da suposta guerra contra o terrorismo, parece de fato já haver se decidido pelo estabelecimento de um novo regime: O Regime Teocrático Norte-Americano de George Walker Bush e de seus incansáveis falcões – Condolleezza Rice e Dick Chaney.

 

Saiba mais: www.paralerepensar.com.br/antuerpiopf.htm

 

Antuérpio Pettersen Filho, membro da IWA – International Writers and Artists Association, é advogado militante e assessor jurídico da ABDIC – Associação Brasileira de Defesa do Individuo e da Cidadania, que ora escreve na qualidade de editor do periódico eletrônico “Jornal Grito do Cidadã”, sendo a atual crônica sua mera opinião pessoal, não significando necessariamente a posição da Associação, nem do assessor jurídico da ABDIC.