ALEMÃO : “COMPLEXO DOS DEZENOVE MORTOS”

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Por : Pettersen Filho

Cerca de duzentos anos após o próprio Pedro , Imperador Hereditário do Brasil, ainda no Século XIX, perceber que os morros no entorno da, então, Capital do Império do Brasil, o Rio de Janeiro, não se prestavam à ocupação econômica, e nem humana, desapropriando as fazendas que cultivavam café nos morros da Cidade, e fundando o maravilhoso Jardim Botânico, finalmente, o Estado brasileiro, hoje uma mordaz República Federativa, e democrática, voltou seus olhos para aqueles enclaves, e, munido de forte aparato, depois de quase duzentos anos de ausência e omissão, subiu, com seus carros blindados e homens de guerra, o Morro do Alemão , mais conhecido como Complexo do Alemão , obtendo como saldo, hoje obscuramente deduzido, passada mais de uma semana do evento: Dezenove mortos , entre pretos, pobres e anônimos, cidadãos sem registro, passagem ou cidadania.

 

Parecendo querer compensar o complexo, Seu, de Governo, após reiteradas e reiteradas administrações, as quais durante décadas e décadas voltaram seus olhos apenas para os brasileiros menos modestos, habitantes da orla marítima do entorno da Baia da Guanabara, confortáveis moradores da Zona Sul carioca, cerca de mil e quinhentos homens das polícias, numa mescla, tanto impensável como ilógica, composta de soldados de carreira da Briosa Polícia Militar do Rio de Janeiro, mesclada por elementos da Polícia Civil carioca, e, adornada ainda pela excrescente Força Nacional de Segurança Pública, tal qual o Exército Sionista de Israel, quando invade nas telas da tevê o país inimigo, a Faixa de Gaza, em busca de terroristas palestinos, invadiram o Complexo do Alemão , em madrugada mortal e lenta, mostrando o quanto pode o Estado ser arrogante e imprestável.

Sem ater-se ao menos, desde a Abolição da Escravatura, em 1888, de que a população escrava e pobre, não teria para onde ir, ocupando historicamente os morros da Capital do Império do Brasil, sem nunca haver gozado, além da irresponsável alforria, do aparato público ao seu dispor, em instancias mínimas e fundamentais, tais como serviços de esgotamento sanitário e de água potável, adentrando, ademais, no Século XX e XXI, sem que haja olhos estatais para quesitos basilares em favor daquela população de miseráveis, como serviços essenciais de educação e saúde, o Estado brasileiro delegou tacitamente tais incumbências a gênese absurda daquelas próprias populações, derivando de tal sorte a ocupação desordenada daqueles guetos, ao gosto e germinação do tráfico de drogas, hoje, câncer terminal instalado ao redor de todo o Município do Rio de Janeiro, do qual se ocupou, ora, o Estado Brasileiro, via Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Gestão Sérgio Cabral , na incumbência insólita de estripar, treloucadamente.

Certo é que, com flores e serpentina, como acontece a cada Carnaval, quando o Morro , empunhando a bandeira branca dos estandartes das agremiações das escolas de samba, e nos monótonos domingos de futebol no Maracanã, a cada espécie velada de armistício nacional , nem ao mais visonho dos puritanos cabe a compreensão de que, a reforma social que se impõe ao Brasil, não ocorrerá, a toque de megafone e com palavras de ordem, nem tão pouco a golpes de baioneta ou coturno, a não ser com políticas sérias e continuadas de inclusão social e urbanização das favelas cariocas, como de resto em todo o Brasil.

Tivesse o Estado Instiucional , como o faz agora, não fosse irremediavelmente tarde, subido, antes, e muito antes, através destes quase duzentos anos de omissão, os morros, com saneamento básico, escola e trabalho, dia a dia, em vez de que com mil e quinhentos homens armados com fuzis e escopeta, mas com 1500 professores, enfermeiros e assistentes sociais, munidos de livros e encanamento, ao invés de fuzis, por certo o Complexo do Alemão , como é chamado, devido a origem polaca do seu antigo proprietário, chamado por nós, tupiniquins, de galego ou alemão , não seria um Complexo , mas sim um Convexo: de ações socializastes, includentes e igualitárias.

Ao invés, optou melhor o Estado brasileiro pelo enfrentamento aberto, dando azo a dezenove inadmissíveis lapides , de um total que, por certo, mantida a atual política, de Séculos, somente aumentará.

                         É, Pedro, vejo que tu tinhas razão.

 

CRÔNICA POSTADA ORIGINALMENTE EM   WWW.PARALEREPENSAR.COM.BR

ANTUÉRPIO PETTERSEN FILHO, MEMBRO DA IWA – INTERNATIONAL WRITERS AND ARTISTS ASSOCIATION É ADVOGADO MILITANTE E ASSESSOR JURÍDICO DA ABDIC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DEFESA DO INDIVÍDUO E DA CIDADANIA, QUE ORA ESCREVE NA QUALIDADE DE EDITOR DO PERIÓDICO ELETRÔNICO “ JORNAL GRITO CIDADÃO”, SENDO A ATUAL CRÔNICA SUA MERA OPINIÃO PESSOAL, NÃO SIGNIFICANDO NECESSARIAMENTE A POSIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO, NEM DO ADVOGADO.