O PANELAÇO ARGENTINO: “ EU SOU VOCÊ AMANHÃ ”

Por: Pettersen Filho

Quem, afinal, não se lembra daquela antiga propaganda de uma reconhecida marca de Vodca, em que o protagonista aparece bem disposto, diante da figura esquálida de um beberrão, amargurando uma imensa ressaca, em razão da outra Vodca, de marca duvidosa, ingerida na noite passada, em que profere a frase que virou bordão: “ Ele é você amanhã ”, onde destaca as qualidades da sua Vodca, a boa e legitima marca Tal ?

 

É com lembranças direcionadas para o antigo comercial de tevê que os brasileiros recebem notícias do “ Panelaço ” que, ora, sacode ruidosamente toda a Argentina, de Cristina Kirchner, diante do novo aumento de impostos para a exportação de produtos agrícolas pelo País Vizinho, grande fornecedor de trigo ao Brasil, já afetado pela escassez do produto em nossas padarias, com medo de que a Argentina, panelas às ruas, seja o sintoma preclaro do que pode vir acontecer no Brasil, diante da falta do grão com que amassamos todos os dias o nosso sagrado pãozinho.

Tampas e panelas em punho, por toda Buenos Aires, os Cidadãos Portenhos foram às ruas, em apoio ao protesto dos agricultores, quem promoveram várias barreiras e bloqueios nas principais estradas da Argentina, enquanto permanece o impasse.

Alertada do possível desabastecimento interno da própria Argentina, uma das maiores produtoras mundiais de soja, trigo e girassol, de quem compramos cerca de 70% do trigo que consumimos nas nossas padarias e pastifícios, a Presidente Cristina Kirchner optou pelo tarifaço, como mecanismo natural para sobretaxar as exportações, retendo no mercado interno o produto, além de, com a medida, reforçar o já bem sucedido Balanço de Pagamentos do País, que usufrui nos últimos tempos de elevadas taxas de crescimento, após anos de duradoura moratória e recessão, dos tempos do Presidente Menem e do seu Ministro Cavallo.

Contudo, a elevação, Mundo a fora, dos preços das chamadas comodites, soja, milho e trigo, trás na sua esteira a evidencia de um risco muito maior, não necessariamente restrito à Argentina, mas que ultrapassa os balcões das padarias no Brasil, alcançando o bolso de todo aquele que necessitar comer um pãozinho do tipo francês, e ameaça tomar conta do Mundo inteiro, independente da recessão incipiente nos EUA, por fundamentos que vão muito além do fenômeno que se dá nos campos, passando também pela crise do petróleo e seus preços ascendentes.

É que os EUA, maiores produtores mundiais de trigo, soja e milho, devido a inexorável alta do petróleo nas bolsas mundiais, buscando diminuir a sua dependência dos combustível fóssil, encontrou também nos campos, a exemplo do Brasil, com a sua cana de açúcar e o biodisel, a solução para a sua crise energética, convertendo milhões e milhões de toneladas de milho em agrocombustivel, antes direcionado ao consumo humano e a ração animal, agora orientado às bombas dos postos de gasolina.

Tal fenômeno, acrescido ao novíssimo e súbito ingresso da China e Índia ao Mercado de Consumo, fazendo com que cada chinês, ou hindu, tenha, pelo menos uma vez ao dia, o pãozinho no seu cardápio de consumo, somado ao desvio de áreas inteiras de antigas plantações agrícolas, no Brasil e EUA, em áreas, agora, voltadas à produção de combustível vegetal, vem causando a impressionante falta de produtos necessários ao consumo humano, ou pelo menos, vem causando, por motivo alheio ao tempo ou a sazonalidade do consumo, a anteriormente impensável alta de preços.

Por isso, enquanto os argentinos saem às ruas com o seu ruidoso “ Panelaço ”, consumidores do pãozinho francês, no mundo inteiro, correm o inadvertido risco de ficarem com suas sacolas vazias, enquanto abastecem de biocombustivel o seu carro no Posto da Esquina.

 

ANTUÉRPIO PETTERSEN FILHO, MEMBRO DA IWA – INTERNATIONAL WRITERS AND ARTISTS ASSOCIATION É ADVOGADO MILITANTE E ASSESSOR JURÍDICO DA ABDIC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DEFESA DO INDIVÍDUO E DA CIDADANIA, ALÉM DE SÓCIO CORRESPONDENTE DO INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLOGIAS, POLÍTICAS E SOCIAIS DOM VASCO FERNANDES COUTINHO, QUE ORA ESCREVE NA QUALIDADE DE EDITOR DO PERIÓDICO ELETRÔNICO “ JORNAL GRITO CIDADÃO”, SENDO A ATUAL CRÔNICA SUA MERA OPINIÃO PESSOAL, NÃO SIGNIFICANDO NECESSARIAMENTE A POSIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO, NEM DO ADVOGADO

 

 

 

DEFESA DO CONSUMIDOR – CIDADANIA - PEQUENAS CAUSAS CIVEIS ???

  

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