JUIZ ALEXANDRE MARTINS: “A LENDA E O CRIME”

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Por : Pettersen Filho

No próximo dia 24/03/07 completarão certos quatro anos da morte do Juiz Capixaba Alexandre Martins, objeto de disparos de arma de fogo, enquanto no exercício de judicância na polêmica e problemática Vara de Execuções Penais do Espirito Santo.

Fruto da súbita nova ética brasileira, a pós-ditadura militar, que, antes, no hiato político e na abstêmia falta de participação popular no processo democrático nacional, ante a repressão, reuniu levas ociosas de jovens brasileiros nas esquinas dos bairros de subúrbio, ouvindo “ rock”n roll e marijuana” , ou, perdidos por entre os corredores dos “shopping´s centers” , em meio a massa e o ostracismo existencial, o jovem Juiz Alexandre Martins, conhecido nacionalmente, tanto pela sua presteza perante o Judiciário capixaba, diligente e inovador, como também por seu fatídico crime, em que fora brutalmente assassinado, prematuramente retirado da existência humana, há, contudo, certa sombra pairando sobre o processamento que busca esclarecer os efetivos motivos da sua morte, e, a quem de fato ela interessou.

 

 

Logo, na sua investidura original, levado a uma das Varas mais sensíveis ao exercício da judicância, a de Execuções Penais, a qual lida, tanto com excessivo numero de presos apenados por uma sistemática politico-educacional-econômica perversa, praticada no Brasil a fora, que banaliza a vida e sistematiza a prisão, como também, massa de manobra dos que se importam, e se valem, do crime organizado, deparou-se ele, desde já, com os vícios do Órgão, passando a combatê-los, com força e sensibilidade humanística.

 

Contudo, a mesma ótica que levou o Juiz à ascendência meteórica, a mesma que, também, levou a Presidência da República um candidato reformista de oposição ao poder, Lula, revestida de retidão moral, e do novo pragmatismo ético, aqui no ES cassando José Carlos Gratz da Assembléia Legislativa, e arremetendo ainda com mais força o martelete do Poder, desproporcionalmente, por sobre a cabeça dos, já arrematados, arrebites-vilões, eleitos a priori como anti-cristos da virtude, meliantes de toda “mea culpa' social, e, supostamente os Mandantes do crime do Juiz, baseados em meros indícios, a destacar: Coronel Ferreira, “ aclamado ” com o título de Chefe-mór do crime organizado, tendo como eventuais “ asseclas ” o ex-policial civil, Calú – Cláudio Luiz Andrade Baptista e o Juiz de Direito Antônio Leopoldo, sendo este último, a necessária cota de sacrifício a que se prestou, a contragosto, o Poder Judiciário capixaba, ao cortar adentro na sua própria carne, trouxe, também consigo, as víceras abertas da realidade social brasileira, nas pessoas dos executores do crime: os igualmente jovens Lombrigão e Giliarde, cotenporâneos do jovem Juiz em faixa etária, nos tênis de marca e chiclets de goma.

Assentados, estes, no entanto, no outro extremo da pirâmide social que, de fundo, espelha a realidade deste imenso país, Lombrigão e Giliarde , já condenados com mais de duas décadas pelo cometimento criminoso horrendo, refletiram, contudo, na sua conduta, muito mais a realidade sócio-urbana dos que somente encontram, dentre a miséria seca de suas vidas, realização e pujança, perante as comunidades pobres em que vivem, sob o manto hierárquico do tráfico, nos pequenos crimes que cometem, como de resto por todo o Brasil-paradigma, neste caso, acometidos pela má-sorte, de , ao acaso, mal armados e por meio de uma motocicleta enguiçada, na porta de uma academia, em que escolheram para assaltar a aleatória vitima, abordar, em sua caminhonete cabine dupla, o " play - boy " errado. Com tal, infeliz e nefasta manobra, ceifando, junto com a promessa estelionatária de suas vidas, também a do promissor Juiz.

Ao final, do que restou: O Governo Lula, deu no que deu. A Sociedade capixaba, por si, nada ganhou. “Lombrigões e Giliardes” destampam a toda hora pelos boeiros. “Alexandres Martins”, não!

Ganhadores, por decorrência, do enfrentamento, somente a falsa sensação que se têm socialmente de Justiça realizada. A Administração Federal, que a pretexto, capitaneou intervenção branca no ES, e o Governo Estadual, que por depois do cadáver ainda fresco do Nobre Juiz, entre os quase meio bilhão de royalties recebidos e a projeção nacional, alcançou abertos os cofres de Brasília, esquecendo-se, contudo, entre o que é real e o que é fantasia, que a mesma vassoura percuciente que ora varre o chão de nossas casas, removendo todo o lixo para fora, por outra via, presta-se também para que võem as bruxas.

Assim, o que se espera agora é saber quem será a bola da vez...

Até o próximo Hallowen !

 

ANTUÉRPIO PETTERSEN FILHO, MEMBRO DA IWA – INTERNATIONAL WRITERS AND ARTISTS ASSOCIATION É ADVOGADO MILITANTE E ASSESSOR JURÍDICO DA ABDIC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DEFESA DO INDIVÍDUO E DA CIDADANIA, ALÉM DE SÓCIO CORRESPONDENTE DO INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLOGIAS, POLÍTICAS E SOCIAIS DOM VASCO FERNANDES COUTINHO, QUE ORA ESCREVE NA QUALIDADE DE EDITOR DO PERIÓDICO ELETRÔNICO “ JORNAL GRITO CIDADÃO”, SENDO A ATUAL CRÔNICA SUA MERA OPINIÃO PESSOAL, NÃO SIGNIFICANDO NECESSARIAMENTE A POSIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO, NEM DO ADVOGADO

 

 

 

DEFESA DO CONSUMIDOR – CIDADANIA - PEQUENAS CAUSAS CIVEIS ???

  

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