RENATO CHAVES : “PINTOR DE TODAS AS CORES”

Por: Pettersen Filho

Liberdade, igualdade e fraternidade: 

São os sentimentos que de imediato invadem-me ao deparar, de súbito, com a Obra Mágica de Renato Chaves.


Chaves de vários mundos. Várias cores e várias almas. Aliás, vários Renatos.


O Ladrão  das Almas, o Furtivo das Cores e dos Tons. O Esguio das Formas.


Capaz de, com igual destreza, com maniqueismo, somente admissível aos que são Inconfidentes, quedar aprisionadas as cores convencionais da Bastilha.

Libertar-se do excessivo verde e laranja do Tropicalismo Caboclo, resgatando com sobriedade o obscurantismo e as contradições dálma barroca mineira.

 

Remete-nos, com modernismo acentuado, à um tempo em que esteve a Humanidade mergulhada em profunda paradoxia, sempre atual, contudo, bombardeando com suas vigorosas pinceladas, de plastia acrílica, os traços tradicionais das formas guardadas na Guernica libertada.

Ocorrem-me, também, a Rua Rio Negro, o Alto da Barroca e o Belo Horizonte, com suas ladeiras. Com nossas infâncias soltando pipa e jogando finca. Com os seus morros, e, os pinceis atônitos do Renato, sempre a subir e a descer o quebra-cabeça formado pelas pedras pé-de-moleque das ruas.

Vejo-me diante de suas telas plenificado de Minas "Geraes". 


Não uma Minas Gerais provinciana, meramente barroca, ou a trancada hermeticamente na religiosidade profana dos entalhes do Mestre Aleijadinho, mas vejo uma Minas Gerais tomada de intensidade, e modernismo, na acepção da palavra.

Uma libertária. Resgatada dos escombros do Ser e apresentada mundialmente em Idioma Artístico, com todas as suas dores, com todos os seus ângulos e cores, por Renato Chaves.


 

São milhares de triângulos que se formam em sua simetria musical: Isósceles, eqüiláteros e inconfidentes. Muitos catetos, vértices e hipotenusas aritméticas, perfazendo geometria intangivel aos olhos humanos menos atentos.

Co-senos e arestas que se harmonizam e se formulam, mas que, ao mesmo tempo, vão se contradizendo numa ginga louca, concomitantemente trazendo consigo interpretação, tenaz e densa, nas cores lúgubres inventadas por Renato, talvez, até, seqüestradas do mórbido Barroco Mineiro, e, emprestadas impossivelmente aos traços surrealistas, cubistas e cartesianos de Pablo Picasso, tecendo em sua trama longitudes e latitudes inimagináveis, a não ser por ele, pelo Artista, que a tudo ouve e a tudo vê.

 
Coisas urbanas do cotidiano contemporâneo. Discurso ébrio entre o vicio e a virtude por que passa Renato, num mosaico de elementos que, ao fim, formam no conjunto triste uma alegria anônima, a qual de resto, deveria ser de todo o Povo brasileiro. Também dos Cariocas. E porque não dizer dos Paulistas também? Enfim, de todos os que ousarem sentir e sonhar. 


A Obra de Renato Chaves, em suma, na análise sensorial que ora faço, não é somente para ser vista na Galeria com o passear dos olhos, mas, sim, dispõe-se a ser lida, do alto para baixo, da esquerda para a direita, como a um livro de sabor tenro, e ao mesmo tempo amargo.

 
Obra Quixoteana com começo, meio e fim.

Própria dos que, não somente, passam pelo seu tempo, sem nada testemunhar ou protagonizar. Mas que o exercem, ao seu tempo, e Povo, com sabedoria, e coragem para senti-los, repleto de cumplicidade para, ao mesmo tempo, exercitá-lo, dizendo:

"Libertas Quae Sera Tamen"

 

ANTUÉRPIO PETTERSEN FILHO, MEMBRO DA IWA – INTERNATIONAL WRITERS AND ARTISTS ASSOCIATION É ADVOGADO MILITANTE E ASSESSOR JURÍDICO DA ABDIC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DEFESA DO INDIVÍDUO E DA CIDADANIA, QUE ORA ESCREVE NA QUALIDADE DE EDITOR DO PERIÓDICO ELETRÔNICO “ JORNAL GRITO CIDADÃO”, SENDO A ATUAL CRÔNICA SUA MERA OPINIÃO PESSOAL, NÃO SIGNIFICANDO NECESSARIAMENTE A POSIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO, NEM DO ADVOGADO.