JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER, TIRADENTES: “HERÓI OU MITO ?

Por : Pettersen Filho

Todo dia 21 de Abril dúvida atroz me ocorre e, com olhos postos na História, focando a Personagem histórica, Joaquim José da Silva Xavier, o Alferes, “Tiradentes”, nome com que entrou para a História, junto com o Movimento Emancipacionista da Inconfidência Mineira, em 1789, diga-se de passagem, mesmo ano, na Europa, em que ocorreu a Revolução Francesa, cujos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, a dita Conjuração Mineira embandeirou, oportunidade em que, uns poucos militares, intelectuais e poetas se rebelaram contra o jugo da Coroa Portuguesa na Colonização do Brasil, então, eu me pergunto:

 

Testemunha, ou narra, realmente, a História fatos fidedignos, ao ponto de eleger Tiradentes ao Panteão da Pátria, em nível de Herói, ou seria ele, enfeitando os fatos, num Pais acostumado a chamar alguns de seus governantes, e caudilhos, de semideuses, simples Mito popular ?

Sem querer ser aqui desrespeitoso, com aquele que é o Patrono do próprio Exército brasileiro, Herói e Protomártir da própria República Federativa do Brasil, justamente naquele que é o seu dia, 21/04, entretanto, o dever cívico, e o profundo interesse de promover o debate, que nos traga alguma verdade histórica sobre os fatos aqui narrados, admirador que sou de toda causa libertária, desde a Revolução Americana, até a Francesa e Russa, no entanto, assim me obrigo fazer, “Inconfidente”, e Mineiro que sou.

Preso, Condenado e Esquartejado, quem teve a sua casa salgada, como era comum naquela época, para que nada mais ali crescesse, tomado como ante exemplo pela Coroa Portuguesa, varrido para a lata de lixo da História, proscrito, junto com toda a sua prole, com a delação de Silvério dos Reis, pena mais rigorosa imposta a um dos Inconfidentes, distante do que foi reservado, por exemplo, a Thomaz Gonzaga, Padre Rolim e outros, destituídos e degredados para Colônias de África, Moçambique e Angola, Tiradentes foi dos únicos realmente punidos após o Julgamento, diferente, por exemplo, de Gonzaga, Poeta de Marília de Dirceu e da Fonte do Suspiro, em Ouro Preto/MG, que na África contraiu casamento, teve filhos, e quase que se esqueceu de tudo, não fosse a nos lembrar hoje a sua intensa Obra Poética Parnasiana, retratando o Paraiso de Ovelhas e Pastores nos Campos, surreal, ante ao Movimento Mineiro, ou Claudio Manoel, maior dos Dignitários da Inconfidência, Gestor Público de alto cargo na Coroa, verdadeiro Traidor, que cuidava da Arrecadação, na Casa dos Contos, na Vila Rica, esse sim, como uma espécie velada de Vladmir Herzog colonial, a quem sequer se deu ao trabalho de se oferecer julgamento, nos primeiros dias da Derrama encontrado enforcado na própria Casa, calando-se providencialmente quanto aos fatos perante a História.

Fato é que, enterrado, morto e esquecido, mesmo depois da Independência do Brasil, em 1822, arranjada entre Pai e Filho, D. João e Pedro I, às Margens do Ipiranga, narra a História, oportunidade em que poderia, até, ter tido sua vida resgatada, numa Nação, agora, livre e soberana, Tiradentes, no entanto, permaneceu mudo, no vácuo, durante todo o Império, por exatos cem anos, desde 1789, até que Militares Revoltosos, sedentos, como ora, pelo Poder, representando interesses de uma Burguesia nascedoura no Brasil, dos Barões do Café, exauridos pela Abolição da Escravatura, em 1888, resolveram insurgir-se contra o Império, e, em 1889, deram o Golpe de Estado no Imperador, instalando a República dos Marechais, resultando hoje na atual República Federativa do Brasil, que ora vivemos, resgatando, como um anticristo, em exorcismo a uma possível Contrarrevolução Imperial, o “Tiradentes”, para que figurasse, agora sim, como Herói, precursor da própria República, mas, por interesses próprios, mesquinhos, pessoais, e não absolutamente Republicanos, é o que constatamos.

Para o Brasil Moderno, o atual, muito menos, para Minas Gerais, o Estado dito “da Liberdade”, em que Tiradentes, nasceu, viveu e foi enforcado, justamente por rebelar-se contra o Fisco, a exacerbada Carga Tributária da época, o 1/5 do Ouro, que cobrava a Coroa, não interessa o seu resgate atual, e a pungência da sua História, haja vista que a Carga Tributária imposta pela Coroa, que, comparativamente hoje é Brasília/DF, e seus Asseclas, representados pelos Governos Estaduais e Municipais, que cobram, verdadeiro arroubo,1/4 ou 1/3 da renda do Cidadão comum, no Brasil de agora, o Tiradentes histórico, idealista, libertário, justo e solidário, assim como contado na História, não interessa a ninguém.

O que querem exaltar, pantomima, é o Tiradentes inexistente, o que está de pés vacilantes, mãos amarradas para trás, maltrapilho e cabeludo, simples Estátua de Praça Pública, ou na Avenida Brasil com Afonso Pena, em Belo Horizonte/MG, á imagem do próprio Cristo, passivo e derrotado, cujos discípulos, tão bem descritos por Aleijadinho, em Congonhas dos Campos, na Via Sacra, não oferecem perigo algum ao Estado, e ao Status Quo de um Pais profundamente injusto, e ainda colonizado pelo Poder Econômico e pelo interesse exterior, ou de algumas castas, mas não, nunca, em hipótese alguma, o necessário: Tiradentes vivo!

Justiça seja feita, nunca foi tão atual como hoje, um novo, e esperado, Dia da Derrama, um Tiradentes vivo, que encha de ar os pulmões e proclame aos quatros ventos, Brasil a fora:
“Libertas Quae Sera Tamen”

 

Obs: Gravura: “Tiradentes Esquartejado” – Obra em Óleo de Pedro Américo – 1893

 

PETTERSEN FILHO, MEMBRO DA IWA – INTERNATIONAL WRITERS AND ARTISTS ASSOCIATION, MEMBRO FUNDADOR DA AVENCLA- ACADEMIA VENDANOVENSE DE CIÊNCIA, LETRAS E ARTE, É ADVOGADO MILITANTE E ASSESSOR JURÍDICO DA ABDIC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DEFESA DO INDIVÍDUO E DA CIDADANIA, QUE ORA ESCREVE NA QUALIDADE DE EDITOR DO PERIÓDICO ELETRÔNICO “ JORNAL GRITO CIDADÃO”, SENDO A ATUAL CRÔNICA SUA MERA OPINIÃO PESSOAL, NÃO SIGNIFICANDO NECESSARIAMENTE A POSIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO, NEM DO ADVOGADO.

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