E SE TOFFOLI SOLTAR O LULA DURANTE O RECESSO DO SUPREMO EM JULHO?

Por : Celso Lungaretti

A questão acima foi colocada pelo blogueiro do UOL Josias de Souza, que, contraditoriamente, sempre se mostra simpático à Lava Jato e quase sempre desce o cacete no Governo Bolsonaro, como se o segundo não fosse consequência direta da primeira. 

E como se o tenentismo togado pudesse propiciar outra coisa além de um(a) presidente da República autoritário(a) tentando impor sua vontade ao Legislativo e ao Judiciário.

 

 

O Josias é daqueles que acreditam na possibilidade de erradicar-se a corrupção sob o capitalismo. Eu considero mais plausível a existência de mula sem cabeça e fada dos dentes...

 

Mas, se a defesa do Lula protocolar no Supremo Tribunal Federal um habeas corpus para o libertar durante o mês de julho, a decisão caberá mesmo ao plantonista, ou seja, ao Dias Toffoli. Daí o receio do Josias, pois ele obviamente escreveu o post para que não aconteça uma repetição do solta-não-solta de quase um ano atrás, quando o desembargador Rogério Favreto, do TRF-4, esteve próximo de mandar Lula pra casa no seu plantão de fim de semana:

"Antes de vestir toga, Toffoli foi assessor da liderança do PT na Câmara, advogado eleitoral de Lula, auxiliar jurídico de José Dirceu na Casa Civil e advogado-geral da União no governo do agora presidiário petista.

 

...pode ser bisado e obter êxito em julho próximo...

A despeito desse histórico, Toffoli não hesitou há um ano em liderar na 2ª Turma a votação que abriu a cela de um José Dirceu já condenado em segunda instância a mais de 30 anos de cadeia".

Josias aconselha o Toffoli a negar o habeas corpus caso ele se corporifique nas suas mãos, sob pena de ter de passar "o resto da vida fugindo das mordidas" e de ser obrigado a trocar "o terno por uma armadura".

 

Eu admito que também temo tal hipótese, mas por motivo bem diferente. 


O Lula, com sua confusionista candidatura fantasma que jamais seria consentida pelo TSE e com sua desastrosa sabotagem (a puxada de tapete que deu no Ciro Gomes) à união da esquerda na eleição de 2018, já atirou a Presidência no colo do Bolsonaro.

 

Espera-se que, pelo menos, não ajude Bolsonaro a tornar-se um ditador. A única chance que o dito cujo tem de ser bem sucedido num autogolpe é utilizando novamente Lula como espantalho e açulando suas turbas contra o Supremo e o Congresso. A traquinagem petista/toffolista preencheria dois destes requisitos. 

 

...mas, seria absurdo brincar com fogo no cenário atual! 

Correr tamanho risco apenas para garantir algumas semanas de liberdade para Lula (a decisão monocrática de Toffoli teria de passar pelo crivo do plenário tão logo o STF voltasse do recesso) seria o cúmulo da insensatez e do egoísmo. 

 

O diabo é que os dirigentes petistas várias vezes têm colocado os interesses específicos do partido acima dos interesses maiores da esquerda, dos trabalhadores e dos brasileiros em geral. 

 

Que botem a mão na consciência e não brinquem com fogo, pois muita gente boa se queimaria junto com eles.

 

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