NÓS CONTRA ELES

Por : Salvatore D' Onofrio

Chegou a hora de Jair Bolsonaro acabar de acirrar os ânimos de petistas e outros adversários políticos, chamando estudantes e professores, que estão reclamando contra os cortes na Educação, de "ignorantes úteis". O "nós contra eles" só prejudica nossa frágil democracia.  Estender os braços vale mais do que apontar uma arma. Não é para tanta arrogância que o povo o elegeu Presidente! Conforme Fabio Medina Osório, "As principais agendas da sociedade brasileira" (Folha, 16/5) são a reforma da Previdência e o pacote anticrime.

 

A seu ver, os dois projetos deveriam tramitar juntos no Congresso Nacional por visarem a mesma finalidade: o alcance de um bom nível de moralidade pública pelo equilíbrio das finanças e a luta contra a corrupção. Uma agenda não teria eficácia sem a outra, pois a Lei da Responsabilidade Fiscal não funciona, na prática, se os ocupantes de cargos públicos não forem gente honesta e competente e as normas para a  aposentadoria não respeitarem idade e tempo de contribuição com justiça social, abolindo qualquer forma de privilégio entre classes: homens vs mulheres, civis vs militares, políticos vs jurídicos, trabalhadores da cidade vs os do campo, obedecendo sempre ao princípio constitucional da igualdade de todos perante a lei, sem prejuízo do mérito de cada um.

 

 

             Para tal incumbência, presumivelmente, Bolsonaro indicou dois Ministros bem competentes: Sergio Moro, na Justiça e Paulo Guedes, na Economia. Infelizmente, nossos parlamentares, aos quais cabe a formulação das leis, envolvidos em interesses espúrios das várias bancadas que os elegeram, não se preocupam com a edição de normas que visem atender ao bem da Nação como um todo. Nosso Presidente está falhando em não conseguir um diálogo transparente entre os componentes dos Três Poderes, tão necessário para a eficiência do governo. Precisaríamos pensar, urgentemente, numa boa reforma política, indispensável para que outras reformas possam melhorar nossa Pátria. Mas como, se caberia aos próprios políticos reformar o sistema que lhes é tão vantajoso?  Superaremos o impasse quando tomarmos consciência de que política não é profissão para se enriquecer, mas vocação para promover o bem publico, não reconduzindo ao poder os oportunistas de sempre, com nosso voto!

 

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Salvatore D' Onofrio 
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP 
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
www.salvatoredonofrio.com.br
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