PAINEL :”MINAS SÃO MUITAS...”

Por : Pettersen Filho

O Painel “Minas são muitas...”, é uma alusão, abreviada, sem descartar outros Entes também relevantes, ao Biótipo dos Personagens típicos que encampam, e formam, o Estado de Minas Gerais, na visão do Artista Plástico Renato Chaves*, através de Pinturas encomendadas por Pettersen Filho, exatamente para encartarem o Painel, com os tipos comuns que compõem o Povo Mineiro, essencial a sua identidade, e formação cultural, cada qual a seu tempo, e modo, perfazendo as Minas Gerais, em bucólica simplicidade, e avantajada harmonia, quais sejam:

 

 O “Boiadeiro”, nesses termos, é associado a Região do Norte de Minas, tomando por Norte, apenas por cunho demonstrativo, a Cidade de Montes Claros e adjacências, pertencente ao Polígono da Seca, Semiárido Mineiro e Área de influência da Sudene, por onde adentraram, via Rio São Francisco, Comitivas de Gado, através da Bahia, o Colonizador Português em Território Central do País, em plena Minas Gerais;

Também, o “Garimpeiro”, reportando a Região de Ouro Preto Congonhas e Mariana, todas cidades históricas, traços ainda presentes da antiga identidade do Colonizador da Província de Minas Gerais, nas Bandeiras que partiam da Província de São Paulo, em busca do Ouro e Pedras Preciosas;

Trás, ainda, a Figura do “Pescador” de subsistência, abnegado e rude, muito visto ao longo do Rio São Francisco e no próprio Triângulo Mineiro, afeto aos Barrancos e Rios que cruzam o Estado, do Vale do Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce, até o Rio Grande e outros, que formam o Manancial Hidrográfico de Minas Gerais;

Não poderia, também, deixar de apresentar toda a representatividade emanada no “Agricultor”, cito a cidade de Juiz de Fora e a Zona da Mata mineira, nas Culturas de Café, nas Serras e Platôs, que ligam Minas Gerais a Serra do Mar, ao Litoral brasileiro e ao Ultramar;

... E, por ultimo, o Homem “Urbano”, Belorizontino típico, grande miscelânea do Homem do Campo que se urbanizou, ocupando o Centro administrativo do Estado e as Montanhas do Maciço Central mineiro, que agrega todos esses tipos, na “Urbis” e na Cidade Cosmopolita, costurando essa Colcha de Retalhos, que, ao fim, formam a nossa Cidadania, Dialetos, Culinária e Folclore.

Trabalho de Pintura e Contorno do Mapa, de fundo, levados a termo por mim mesmo, e “Joanzim” Evangelista, Amigo, Tocador de Violão, e, agora, Pintor de última hora..., nessas Minas Gerais, que são, como exposto: Muitas!!! (Belo Horizonte, 04/04/2018)

Antuérpio Pettersen Filho, membro da IWA – International Writers and Artists Association, é advogado militante e assessor jurídico da ABDIC – Associação Brasileira de Defesa do Individuo e da Cidadania, que ora escreve na qualidade de editor do periódico eletrônico “Jornal Grito do Cidadão”, sendo a atual crônica sua mera opinião pessoal, não significando necessariamente a posição da Associação, nem do assessor jurídico da ABDIC.

RENATO CHAVES : “PINTOR DE TODAS AS CORES”

Por: Pettersen Filho

                       Liberdade, igualdade e fraternidade:

São os sentimentos que de imediato me invadem ao deparar-me de súbito com a Obra mágica de Renato Chaves. Chaves de vários mundos. Várias cores e várias almas. Aliás, vários Renatos.  O ladrão  das almas, o furtivo das cores e dos tons. O esguio das formas.

                       Capaz de, com igual destreza, com maniqueismo, somente admissivel aos que são inconfidentes, quedar aprisionadas as cores convencionais da Bastilha. Libertar-se do excessivo verde e laranja do tropicalismo caboclo, resgatando com sobriedade o obscurantismo e as contradições dálma barroca mineira. Remete-nos, com modernismo acentuado, à um tempo em que esteve a humanidade mergulhada em profunda paradoxia, sempre atual, contudo, bombardeando com suas vigorosas pinceladas, de plastia acrilica, os traços tradicionais das formas guardadas na Guernica libertada.

                         Ocorrem-me, também, a Rua Rio Negro, o Alto da Barroca e o Belo Horizonte, com suas ladeiras. Com nossas infâncias soltando pipa e jogando finca. Com os seus morros, e, os pinceis atônitos do Renato, sempre a subir e a descer o quebra-cabeça formado pelas pedras pé-de-moleque das ruas.

                          Vejo-me diante de suas telas plenificado de Minas "Geraes".

                          Não uma Minas Gerais provinciana, meramente barroca, ou a trancada hermeticamente na religiosidade profana dos entalhes do Mestre Aleijadinho, mas vejo uma Minas Gerais tomada de intensidade, e modernismo, na acepção da palavra. Uma libertária. Resgatada dos escombros do ser e apresentada mundialmente em idioma artistico, com todas as suas dores, com todos os seus ângulos e cores, por Renato Chaves.

                           São milhares de triângulos que se formam em sua simetria musical: Isósceles, equilateros e inconfidentes.

                           Muitos catetos, vértices e hipotenusas aritiméticas. Perfazendo geometria intangivel aos olhos humanos menos atentos. Co-senos e arestas que se harmonizam e se formulam, mas que ao mesmo tempo vão se contradizendo numa ginga louca, concomitantemente trazendo consigo interpretação, tenaz e densa, nas cores lúgubres inventadas por Renato, talvez, até, sequestradas do mórbido Barroco mineiro, e, emprestadas impossivelmente aos traços surrealistas, cubistas e cartesianos de Pablo Picasso, tecendo em sua trama longitudes e latitudes inimagináveis, a não ser por ele, pelo artista, que a tudo ouve e a tudo vê.

                            Coisas urbanas do cotidiano contemporâneo. Discurso ébrio entre o vicio e a virtude por que passa Renato, num mosaico de elementos que, ao fim, formam no conjunto triste uma alegria anônima, a qual de resto, deveria ser de todo o povo brasileiro. Também dos Cariocas. E porque não dizer dos Paulistas também? Enfim, de todos os que ousarem sentir e sonhar.

                             A Obra de Renato Chaves, em suma, na análise sensorial que ora faço, não é somente para ser vista na Galeria com o passear dos olhos, mas, sim, dispõe-se a ser lida, do alto para baixo, da esquerda para a direita, como a um livro de sabor tenro, e ao mesmo tempo amargo. Obra cervanteana com começo, meio e fim. Própria dos que, não somente, passam pelo seu tempo sem nada testemunhar ou protagonizar.

                              Mas que o exercem, ao seu tempo, com sabedoria e coragem para senti-lo e com cumplicidade para exercita-lo, dizendo:

                               "Libertas Quae Sera Tamen"

 

Antuérpio Pettersen Filho, membro da IWA – International Writers and Artists Association, é advogado militante e assessor jurídico da ABDIC – Associação Brasileira de Defesa do Individuo e da Cidadania, que ora escreve na qualidade de editor do periódico eletrônico “Jornal Grito do Cidadão”, sendo a atual crônica sua mera opinião pessoal, não significando necessariamente a posição da Associação, nem do assessor jurídico da ABDIC.