CIDADÃO

Por : Pettersen Filho

É necessário, em nome da Modernidade e do Humanismo, desalojarmos do Espirito Público, inclusive, face a Reforma impositiva que se anuncia no Horizonte desde a Queda indômita da Bastilha, a aresta Autocrática do desmando e do Desatino.

Estes, que se manifestam através da falta de reciprocidade e da cruel burocracia, recobertos de perversidade e opressão, por entre os Birós e divisórias das Repartições Públicas, transformando o Cidadão Comum em simples numero de obituário, compreendidos esses escalões como uma minoria prevalente que se posta arrogantemente contra os Desvalidos e resignada frente aos Poderosos.

 

Estes, os que na maioria das vezes, investidos de Divisas nos Ombros, ou Cassetete na Cintura disfarçam seu Ego por detrás do Uniforme, acobertados por seus Cargos e Ofícios, Acéfalos “cumpridores de ordens” e gélidas Portarias, quase sempre a serviço da voraz Coletoria.

Estes, muitas vezes recobertos de Toga, ou Beca solene, guardados em seus gabinetes, refugiados, escondidos em Prédios de mármore ou granito, acreditando cegamente, ao voltarem para ccasa, inatingíveis, em seus BMW`s de toque aveludado, por depois de todo o aparato dos Muros palacianos, pensando assim estarem protegidos da enraivecida revolução que no cotidiano se processa surdamente, pelas ruas apodrecidas dos subúrbios, nas mãos reparadoras dos Trombadinhas, e Pivetes, que no sinal rogam um trocado, da miséria dantesca que desconhece Patentes, e renega diplomas, mas que a ninguém chama de Doutor ou Patrão.

Estes, os que imaginam escapar ilesos, imaculados, da degradação dos valores e da ética, da moral e dos costumes, em cada Ato seu, nas Repartições, camuflados no mata-borrão dos carimbos, sem perceber que o maior Rei, Superior a todos eles, o Crucificado e Erigido, soube antes de tudo Servir, e não por dever de Ofício, mas, sim, por acreditar estar passível, em cada Leito fétido de Enfermaria, ou nos Corredores lotados do Coletivo, enfim, um Irmão!

(Extraído do poema “Cidadão” da Obra “Inconfidente Mineiro – Ilustrações & Poesias” de Antuérpio Pettersen Filho – Publicação Independente – 2002).