PARA ONDE VAI A CULTURA?

Por : Aldo Moraes

Depois da tentativa de extinção do Ministério da Cultura, veio a redução de orçamento e o corte em importantes editais que valorizavam a memória, a formação de público e a criação artística no Brasil. De Norte a Sul. Das avançadas pesquisas no campo da música contemporânea ao fazer de saberes populares no interior do país. Da política pública que levou autores e artistas plásticos aos maiores centros mundiais da cultura às tantas oficinas arte-educativas que transformaram vidas e comunidades inteiras.

 

 

Em seguida, o ministro que pede demissão porque foi pressionado a emitir um documento habilitando uma construção irregular no centro histórico de Salvador. Um novo Ministro que sai quando o Presidente da República é pego em gravações nada republicanas. Agora, um ministro interino que pede demissão em meio a bastidores que dão conta de que partidos políticos disputam a cadeira e seus cargos, sem nenhum entendimento da cultura brasileira.

 

Em meio a crise política e ao desmonte do Minc, importantes programas respeitados no exterior têm sua continuidade ameaçada. É o caso da Bienal de Música Contemporânea, evento no qual este que vos escreve fez a primeira estréia de uma composição musical, nos anos 90. 

 

O batuque na caixa, projeto que criei em 1998 tem sido parceiro da Funarte e do Minc ao longo dos últimos 15 anos. Divulgamos as ações destas instituições e recebemos seus materiais históricos, educativos, biográficos e partituras musicais que atendem aos anseios de nossos professores e alunos. Milhares de jovens tiveram acesso direto e indireto a esse tesouro cultural. É assim que podemos recontar a vida e a obra de um Luiz Gonzaga, Cartola, Carlos Gomes, Guarnieri  e de Aracy de Almeida para crianças e jovens, no interior do Paraná, onde trabalhamos.

 

Em meio a um cenário, onde vemos parte de nossa história e memória cultural sendo desmontadas e importantes iniciativas ameaçadas, posso afirmar que o acesso ao conhecimento por quem mais precisa e os sonhos de uma vida inteira agonizam. Que um dos nossos maiores patrimônios, de pleno reconhecimento mundial, depende hoje da resistência de bravos e guerreiros homens e mulheres do Brasil.

 

Uma pergunta fica aos políticos de Brasília e a outros de vários pontos do país (porque o ataque à cultura, às minorias e à plena liberdade tem se espalhado assustadoramente): 

 

PARA ONDE VAI A CULTURA?

 

Aldo Moraes

Jornalista, Compositor e Escritor

Londrina Paraná

 

43 98417-7239

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