“JOGOS DE GUERRA” : DONALD TRUMP BRINCA COM NOSSAS VIDAS NA COREIA DO NORTE...

Por : Pettersen Filho

Enquanto a Poderosa Frota de Ataque da Marinha Norte Americana se aproxima da Península Coreana, parece que, ainda congelada na década de cinquenta, quando vigia o auge da guerra fria, a Coréia do Norte, detentora de um dos regimes comunistas mais ferrenhos do mundo, após registrar, há cerca de poucos anos atrás, a sua primeira explosão atômica, em testes subterrâneos realizados ao norte do país, próximo à fronteira com a China, ruge os tambores, ante a emeninecia de possível desembarque dos Marines, totalmente incapaz de rivalizar, com seus velhos Mig`s 19 e 21 da década de sessenta, a moderna Frota dos EUA, não restando a Pyang Yang, alternativa alguma, a não ser o revide atômico.

 

 

Enquanto a China, praticamente único aliado do regime Coreano prefere não pagar para ver, como os Russos, na Síria, preferiram não revidar o ataque de Trump, no entanto, o Cowboy Moderno, uma espécie de releitura de John Wayne, pensa que está cercando velhos índios, Touro Sentado, com nada mais do que arco e flecha nas mãos, Pyang Yang, tal qual os EUA, possui como Líder, um Timoneiro disposto a tudo, para manter seu Status, e vaidade, cuja resposta atômica não está completamente descartada, já apontando seus misseis para todos os países das cercanias, incluindo o Japão, a Coreia do Sul e os próprios EUA.

 

Surgida da disputa Leste/Oeste, a Coréia, a partir da vitória dos aliados na segunda guerra mundial, quando os americanos eram os únicos detentores da bomba atômica, com a qual fustigaram impiedosamente o Japão, abrindo em definitivo a caixa mística de Pandora, sem nunca mais haver conseguido fechá-la, recolhendo para seu interior todo o mal ao acaso derramado por sobre a humanidade, desde Hiroshima e Nagasaki, em 1945, foram os EUA, contudo, preteridos pela URSS em 1949, quando o glorioso exército vermelho detonou, em afronta aos americanos, a sua primeira-própria bomba termonuclear, dando lugar à nova corrida armamentista, até que, finalmente em 1952, os dois oponentes se enfrentaram através dos seus aliados, verificando desde já, ante ao novíssimo poder de destruição das suas novas armas, que nenhuma das duas potências poderia definitivamente ganhar, no que ficou conhecida como a Guerra da Coréia.

 

No intricado xadrez mundial que se formou desde então, com os países capitalistas liderados pelos EUA, de um lado, apoiando a Coréia do Sul, e o bloco comunista capitaneado pela URSS, apoiando o lado norte, estabeleceu-se, até hoje, um frágil armistício, a partir de uma linha imaginária marcada pelo Paralelo 38, quando foi criada a Coréia do Norte, no que a Península Coreana, antigamente um só país, nunca mais voltaria a ser a mesma.

Com pesadíssimo apoio norte-americano, o extremo sul da península conheceu rápido desenvolvimento, transformando a Coréia do Sul em pouco mais de três décadas num dos ferozes tigres asiáticos, com economia altamente industrializada, sede dos maiores oligopólios do planeta, representados por gigantes multinacionais, como a Hianday, Kia e Sansung, hoje presentes nos shoppings stores de todo o planeta, ao passo que, o Norte, não inserido nas mudanças que ocorreram no mundo, desde a distensão política e a queda do Muro de Berlim, enfim, com a queda da própria União Soviética, somente encontrou, em meio ao atraso do seu país e fome do seu povo, abrigo, em uma ditadura comunista exacerbada e militarizada, aumentando ainda mais a distância do Paralelo que as separa, sem nunca albergar par na História moderna.

 

Assim, agora recém ingressa ao seleto clube atômico, que confere aos seus sócios o alcance e o respeito mundial, ao contrário da Inglaterra, da França , da China e da Índia, além de outros países igualmente menores, como Israel e Paquistão, quem não fazem da chantagem atômica e do medo a sua política de estado, a Coréia do Norte, sem encontrar norte político, insuflada pela política de Trump, quem julga ser o “Xerifão Justiceiro do Mundo” , parece ressurgir das cinzas e escombros da segunda guerra mundial, querendo cobrar dos samurais japoneses a paga pelas gueixas e escravos tomados pelo Exército Imperial, quando da sua ocupação.

Desta forma, na Roleta Russa em que se converteu o mundo contemporâneo, parece o regime facínora de Pyang Yang ter municiado, com sua única bala-possível, o tambor louco do revolver-engatilhado, de um mundo terrivelmente injusto e cruel, demonstrando sordidamente estar apta, a qualquer momento-imprevisível, a girar o tambor e puxar o gatilho por dentre nossas cabeças.

Enfim, parece o pequeno pais do Norte da Península Coreana, sob influência das grandes potências mundiais, em tempos de terrorismo e de fracasso dos institutos internacionais, como a ONU e a Otan, ter inaugurado, em nossos mercados e feira livres, mundo a fora, lembrando-nos a realidade crassa, conquanto saímos dos nossos flats e condomínios de luxo, na Barra da Tijuca ou Copacabana, e dirigimos privilegiados nossos carrões turbinados, por entre a Linha Vermelha e a Favela da Maré, a perspectiva macabra e real do guerreiro órfão de pátria do futuro: O terrível, presente e possível, “ Homem-Bomba-Atômica ” a nos espreitar no semáforo luminoso ou no cruzamento da esquina.

OBS:  Crônica adaptada e reeditada de outra antiga, do mesmo autor.

ANTUÉRPIO PETTERSEN FILHO, MEMBRO DA IWA – INTERNATIONAL WRITERS AND ARTISTS ASSOCIATION É ADVOGADO MILITANTE E ASSESSOR JURÍDICO DA ABDIC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DEFESA DO INDIVÍDUO E DA CIDADANIA, QUE ORA ESCREVE NA QUALIDADE DE EDITOR DO PERIÓDICO ELETRÔNICO “ JORNAL GRITO CIDADÃO”, SENDO A ATUAL CRÔNICA SUA MERA OPINIÃO PESSOAL, NÃO SIGNIFICANDO NECESSARIAMENTE A POSIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO, NEM DO ADVOGADO.