MOACYR MENDES : “ UM ARTISTA FORJADO A FERRO E A FOGO...”

Por : Pettersen Filho

Reza a Lenda que, Michelangelo, Artista Italiano do Renascimento, ao esculpir a Estátua de Davi, sua Obra Prima, após termina-la, de tão perfeita, até hoje considerada um paradigma, em termos de anatomia, teria arremessado o seu martelo no joelho da pedra de mármore em que fora esculpida, e predestinado, num afã de dar-lhe vida Exclamou: “Fala, fala !”, como um verdadeiro Cristo, tamanha a perfeição.

 

Exageros à parte, Pequeno Empresário, proprietário de uma modesta Serralheria à Avenida Deputado Anuar Menhem, Santa Amélia, em Belo Horizonte, bem de frente ao nosso Escritório, donde, ao longo dos anos estivemos acompanhando as suas rotinas, pudemos perceber, Moacyr Mendes, homem singelo, sempre introspectivo, é outro desses “Michelangelo” moderno, quando atua como quem busca desvendar a psique humana, de gestos longos e poucas palavras, em meio a cantoneiras, barrotes, chapas, arrebites e perfis de ferro, executa trabalhos de Serralheria, tão comuns à atividade que desempenha, junto a construção civil, fabrico de portões, grades, corrimão, como todo Serralheiro, profissional dedicado que é, mas guarda consigo um segredo, ora para nós, não tão segredo assim, que agora nos atrevemos revelar: É um exímio Artesão do Ferro e da Máquina Polícorte, elementos dos quais extrai inquietantes Obras de Arte: Painéis em chapa galvanizada e perfis de ferragem por ele retorcidos, cunhados e fundidos, dando origem a bicicletas ornamentais, porta vaso, lustres, luminárias, peças de decoração e adornos em arame, e ferro,  por ele dobrados, e redobrados, Clássicos ou Pós-modernos, todos de extremo bom gosto.

Tempos em que não convivi com o Artista, dizem, Moacyr foi um exímio Jogador de Futebol, em épocas nas quais o Esporte não era tão valorizado, período após o que, passou a apoiar nas Escolas do Bairro pequenas Escolinhas de Futebol e Vôlei, visando tirar das ruas crianças carentes e jovens incursos em transgressão, até quanto foi possível, ao que, dentro da realidade capitalista em que todos têm de comer, passou a exercer seu ofício de Serralheiro, sempre guardando, nas horas vagas, um tempo para a sua criatividade embutida.

Artífice dos Painéis que decoram nosso Prédio temático, “ Cerimonial Inconfidente Mineiro”, alusivo ao Livro de Poesia de nossa autoria, de mesmo nome, Inconfidente Mineiro, coube ao Moacyr, com arte e execução exemplares, retratar, nos quartos, salas e corredores do Cerimonial, cada Poesia e Ilustração do Livro, retirando do Universo empírico do Livro a Arte por nos idealizada, levando a Obra à Alvenaria, afixada nas Paredes, dando real dimensão, e vida ao Prédio.

Trabalho realizado com destemor e grande paciência, que lhe são peculiares, nas telas que resultaram da sua intervenção, Moacyr falou eloquentemente, o que um pouco de cantoneiras, arrebites e soldas, fundidas a ferro e a fogo, por suas mãos talentosas, podem resultar, retirando do plano espiritual, esculturas planas que, somente os Deuses, como ele, Moacyr, podem intelectualizar.

Ser Humano com “S” maiúsculo, puro talento, “Tempera de Aço”, Moacyr é sonho final de Ferro, de toda pedra: Itabira, Itabirito, Itacolomy, Itambacuri, Itamaraju, Itaquera, Itanhaém, Itaúna, Itamarandiba, Itatiaia (“Ita”, do Tupí-guaraní: Pedra), em metal e aço, que pedra alguma jamais ousou sonhar ser: Arte e Vida.

Então, diria o Poeta à obra de Moacyr: “Fala, fala !”,

 

OBS: Para os que quiserem conhecer seu trabalho, visitas podem ser agendadas em: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

Antuérpio Pettersen Filho, membro da IWA – International Writers and Artists Association, é advogado militante e assessor jurídico da ABDIC – Associação Brasileira de Defesa do Individuo e da Cidadania, que ora escreve na qualidade de editor do periódico eletrônico “Jornal Grito do Cidadã”, sendo a atual crônica sua mera opinião pessoal, não significando necessariamente a posição da Associação, nem do assessor jurídico da ABDIC.