FORTALECER O MERCOSUL É POLÍTICA INTELIGENTE

                                                   

 Por : Profa. Guilhermina Coimbra  

De modo algum se deve abandonar o fortalecimento do MERCOSUL, o Mercado Comum Sul Americano.

Abandonar ou não abandonar o fortalecimento do MERCOSUL não é questão de opinião, não é questão de “achismo”(eu acho, tu não achas, já ele acha, nós, achamos).

É questão de inteligência, de entender mesmo.

Há que se entender e fazer entender aos demais, o conhecimento mínimo sobre as razões do fortalecimento da Europa, devido à Alemanha, que muito inteligente e sabiamente procurou a França – na época, sua arquiinimiga – e propôs se unirem e formarem a ECA (Europa do Carvão e do Aço)  com o objetivo comum de infra estruturar a Europa.

 

Assim, de Comunidade unida em Comunidade unida pelos interesses comuns, surgiu a União Européia – uma fortaleza, contra os poderosos interesses da América do Norte e da Ásia.

 

Copiar o que sempre deu certo é sinal de inteligência.

 

Comportamento brasileiro idiotizado ou irresponsável - nas melhores hipóteses - é o de assumir cargos de confiança, ignorando e menosprezando todo e qualquer programa posto em prática pelo antecessor do cargo, independentemente dos méritos que tais programas tenham ou possam vir a ter em futuro próximo ou remoto.

 

Não há argumento – de fato ou de direito - que possa justificar o  rompimento com todo o trabalho do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em Governos passados. Os árduos trabalhos do MRE, de anteriores governos do Brasil, ...”vinha sendo implementado em termos de relações externas desde 2003. Isso implicava a reorientação das articulações Sul-Sul, o abandono do fortalecimento do MERCOSUL e das iniciativas no âmbito da América do SUL, o bombardeio das articulações em torno dos BRICS”. ...

...”A concentração de poderes no Ministério das Relações Exteriores veio com a transferência da área de comércio externo para essa pasta, retirando tal atribuição e respectivas instituições da área do Ministério da Indústria e Comércio.” “... Essa mudança drástica na performance de um Projeto do Itamaraty, significa colocar abaixo tudo o que havia sido realizado durante...” (KLIASS, Paulo, Doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamentalin  “Trump, Temer e Itamaraty”, Carta Maior/GGN, Nassif – 26/01/2017).

 

Absolutamente, não é “aventura populista nem bolivariana” como pretendem fazer crer à população brasileira, a qual julgam desinformada.

 

Os politiqueiros brasileiros, no afã de agradar aos amigos fora do Continente Sul e na esperança de se manterem ad infinito nos cargos e “acima de qualquer suspeita dos órgãos investigativos brasileiros”trabalham acintosa e sem pejo contra os interesses da população brasileira que os remunera.

 

A política de Relações Exteriores do Brasil, no Itamaraty - até os dois recentes Governos passados - sempre foi dinâmica, admirada e elogiada. Tem que continuar assim, porque os contribuintes brasileiros de todos os investimentos, entre eles, as despesas das Representações Diplomáticas do Brasil ao redor do mundo – não estão pagando caro para que os amigos dos amiguinhos de fora do Brasil façam os seus negócios privados envolvendo bens públicos de interesse do Brasil.

 

A população acompanha e verifica não existirem razões de fato e de direito justificadoras:

- de reorientação das articulações Sul-Sul;

- nem do abandono do fortalecimento do MERCOSUL;

- e nem de desprezar todas as iniciativas no âmbito da América do Sul.

 

Também, inexistem razões para o bombardeio das articulações em torno dos BRICS – Brasil, Índia, China e África do Sul.

 

Não há como desprezar os negócios de Estado que vêm sendo implementados no Brasil, a duras penas, durante diversos Governos brasileiros, entre eles os Governos Militares do Brasil.


O entendimento é o de que as alternativas estratégicas para o Itamaraty - propostas recentemente - significam uma ruptura significativa com o que vem sendo implementado em termos de relações exteriores do Brasil desde 2003.

 

A política do Itamaraty, desenvolvida em termos de relações externas desde 2003, sempre deu certo, era e tem que continuar sendo política exterior admirada. Não se mexe em time que sempre esteve ganhando o jogo.

 

Não há como concordar – a luz da lógica e a nível do bom senso comum:

 – com a reorientação das articulações Sul-Sul, abandonando o fortalecimento do MERCOSUL;

- o abandono das iniciativas no âmbito da América do Sul;

- o bombardeio das articulações em torno dos BRICS- Brasil, Índia, China e África do Sul.

 

Não há porque mudar drasticamente a performance do Projeto de um Itamaraty dinâmico, até então, sempre em busca de maiores representatividade e autonomia do Brasil, no cenário internacional.

 

Rechaçar veemente o entendimento segundo o qual seria uma aventura populista e bolivariana todo e qualquer tipo de afirmação objetivando colocar abaixo tudo o que foi realizado durante os últimos Governos brasileiros, objetivando as relações comerciais Sul-Sul, Sul-Ásia, Sul-África.

 

Rechaçar fortemente alternativas esdrúxulas, porque elas significam uma ruptura de peso, com todo o esforço que vinha sendo realizado  pelo Brasil, em termos de relações externas desde 2003.

Parar com essa ignorância - idiotice, mesmo - de tachar pejorativamente como “bolivariana”, todos os projetos de integração do Brasil, não-alinhados com os amiguinhos daqueles que nada se importam, com os interesses dos residentes no Brasil.

 

A política do Itamaraty sempre foi independente, admirada dentro e fora do Brasil. De se esperar que continue assim.

 

De modo algum a população brasileira concorda  com as alternativas estratégicas recentemente oferecidas em termos de relações exteriores, porque, absolutamente não são de interesse dos residentes no Brasil.

 

Não existem razões de fato e de direito justificadoras de uma mudança drástica, na performance de um projeto do Itamaraty dinâmico, sempre em busca de uma maior autonomia do Brasil internacionalmente.

 

Os descontentes – por não conseguirem fazer dos negócios públicos do Brasil, grandes negócios privados – costumam tentar desmerecer a política do Itamaraty, chamando-a política “independentista”. O Projeto do Itamaraty sempre foi a procura de uma maior atuação do Brasil como protagonista e comautonomia, sem subserviências do Brasil no cenário internacional, não há porque modificá-lo.

 

Nos negócios internacionais entre Estados os sócios não são os plenipotenciários.

No Brasil o sócio é o Brasil,razão péla qual tem que lucrar junto com os sócios estrangeiros.

 

Não há porque reorientar as articulações Sul-Sul, o abandono do fortalecimento do MERCOSUL e das iniciativas no âmbito da América do Sul, o bombardeio das articulações em torno dos BRICS.

 

Sorry, sorry, Sirs e senhores: não se iludam, os brasileiros estão atentos e prontos para dar um nó em todos os negócios privados que envolvam interesses na segurança e nos bens públicos do Brasil.

 

Os milhares de eleitores brasileiros absolutamente não delegaram o poder de governar o Brasil de acordo com os interesses de meia dúzia que se pensam poderosos, por representarem interesses de fora do Brasil.

 

Aos que assim pensam recomenda-se estudar bem as queixas e lamentações dos residentes no Afeganistão. Traidores são sempre tratados com desprezo depois de usados e abusados.

 

A idéia dos espertinhos ou espertalhões – Vs. decidem - é a de colocar abaixo todo o realizado durante os Governos passados, o que, absolutamente, não pode ser considerado, como pretendem os mal intencionados, uma aventura populista e bolivariana.

 

Os brasileiros estão atentos.

 

Não concordam de modo algum – por questão de lógica e de bom senso – na concentração de poderes no Ministério das Relações Exteriores.

 

Não há porque delegar o poder de fazer negócios de Estado – inerente à área do Ministério da Indústria e Comércio para o Ministério das Relações Exteriores.

 

Não é função do Ministério das Relações Exteriores do Brasil fechar – à revelia do entendimento do Ministério da Indústria e Comércio – os negócios públicos de interesse do Estado brasileiro. 

 

A população brasileira raciocina e racionaliza o entendimento de que, se tal ocorrer, os negócios públicos do Estado brasileiro estarão correndo perigo.

A população brasileira percebe a razão de tal proposta.

Seria a sopa no mel em benefício dos que trabalham por interesses de fora do Brasil - em detrimento dos interesses da população brasileira.

 

Não é de se tentar liberar nada, sob o binômio liberalização-submissão. Se assim já foi feito, há que ser re-feito.

 

Sorry, sorry, amigos do peito dos Sirs: o Estado somos nós, os residentes no Brasil.

Entendido o Estado brasileiro como população, território e soberania.

 

 

Não interessa aos residentes no Brasil – contribuintes de fato e de direito de todos os pagamentos de estipêndios, passagens, hospedagens internacionais e milhares de etcs.:

- a marca do Itamaraty sob nova direção;

- a obsessão do setor interessado no desmonte do Estado brasileiro;

- e a obsessão do setor interessado na implantação de um liberalismo impossível.

 

A estúpida necessidade de desmerecer a administração anterior destrói as articulações protagonizadas pelo Brasil no cenário internacional e estabelece a diretriz da sujeição passiva à política externa de Estado estrangeiro e demais atores  - aqueles que pensam ser o centro de poder contemporâneo.

 

Desde agora, será considerada ridícula ao extremo - se essa foi ou vier a ser - a recomendação para esvaziar a presença do Brasil, como fator agregador do MERCOSUL; e também se essa foi ou vier a ser, a recomendação do setor interessado para esvaziar o Brasil no âmbito dos BRICS.
 
Parabéns e muitos parabéns ao recém empossado Presidente da grande Nação do Norte do hemisfério, ao rechaçar os adeptos da submissão. Os resultados das eleições naquele pleito e posse do na Casa Branca deixam o Ministro do Itamaraty e a estratégia do Governo brasileiro muitíssimo mal, ridicularizados ao extremo. A intenção de se colar na traseira dos Estados Unidos para servir como farol de orientação não tem mais como prosseguir. O cavalo de pau que vem sendo colocado em ação na política externa tradicional dos EUA desestrutura o desejo de uma orientação marcada pela submissão aos desejos daquele país.

O sonho conservador de parcela de nossas elites entreguistas ruiu depois da posse do novo Presidente Norte Americano, em 20 de janeiro, 2017.

 

É urgente a redefinição do Itamaraty e de sua estratégia, porque, o Brasil continuará a ser solicitado a contribuir com maior presença e intervenção na cena internacional.

 

É questão de inteligência a retomada da iniciativa de articulação Regional Sul Americana.

Idem, relativamente, à necessidade de uma retomada geral no espaço mundial, atentando para a relevância da Rússia e da China. 

 

Observa-se o Itamaraty, pela primeira vez, demonstrar estar desnorteado, necessitando urgentemente de rumos.
As mudanças ocorridas em Washington comprometem as estratégias do Governo brasileiro.

 

Tem que entender que o Brasil se basta em todas as áreas da economia e fortalecer cada vez mais as independência econômica do Brasil. Não depender, nem acreditar – inocente e credulamente - nas oportunidades que se apresentarão para o Brasil, a respeito das supostas vantagens desse ou daquele sócio comercial internacional.

Tem que entender e mostrar para a população brasileira que os remunera – que sócios são sócios e como tal, o sócio Brasil tem que lucrar junto.

 

Se Estados não têm amigos, Estados têm interesses - conforme bem ensinou um dos Presidentes Norte-Americanos - muito menos devem ter amigos e preferências aqueles que representam os interesses dos residentes no Brasil.

 

Rechaçar veementemente o discurso oficial governamental, segundo o qual as iniciativas do Estado só atrapalham a suposta maior eficiência do capital privado.

 

Quem quer que tenha a pretensão – e que pretensão – de governar o Brasil tem que entender que a população brasileira delegou a eles o poder de governá-losde acordo com os interesses dos residentes no Brasil. E não é interesse da população brasileira se deixar ficar à mercê de interesses privados, quaisquer que sejam.

 

Assim é mais do que correto o entendimento de que a equipe econômica não pode ser remunerada pelos contribuintes brasileiros, se trabalha pelo desmonte de toda e qualquer presença pública na economia.

Se a equipe econômica comprovadamente por palavras e obras trabalha para a supremacia do mercado, fora equipe econômica! Que a equipe econômica do atual Governo brasileiro vá procurar no mercado e fora do governo do Brasil a sua remuneração – é o que pensa muito criteriosamente a população do Brasil.

 

O Brasil aguarda a autocrítica do Governo Federal, necessariamente redefinindo a estratégia de inserção internacional do Brasil.

 

A população brasileira atenta, perspicaz e consumista – quase duzentos milhões de consumidores  - é amiga e hospitaleira.

 

O Brasil merece respeito!.

 

*Curriculo Lattes, Pesquisadora, CNPq, CAPES, FGV-Rio, Tesista.