O DRAMA SOCIALISTA DA VENEZUELA

Por :  FRANCISCO VIANNA 

 

              A permanência do ‘acordo energético’ com Havana funciona como se a Venezuela fosse uma espécie de colônia cubana, uma vez que o país se encontra exatamente num estado de sujeição econômica a Cuba, que, todavia, também é ideológica e funcional.Tendo, praticamente, como sua única fonte expressiva de renda o petróleo, a Venezuela, que vê produção da PDVSA baixar continuamente a produção dessa mercadoria já de algum tempo até agora, não tem arrecadado o suficiente sequer para garantir o abastecimento de pão e de remédios, ao povo venezuelano – isso apenas citando esses dois produtos.

 

 

            No entanto, o regime de Nicolás Maduro se vê forçado a desvalorizar sua moeda – o bolívar – repetidamente e a reduzir cada vez mais o acesso dos venezuelanos ao dólar e a outras moedas fortes, mas, numa situação triste e vergonhosa, o líder chavezista não se atreve a cortar, entre outras coisas, o maciço subsídio à economia cubana, principalmente pelo envio de milhões de barris de petróleo sob a forma de gasolina e outros derivados.

            Os venezuelanos mais informados sabem perfeitamente disso e são forçados a engolir esse sapo, com a sensação nítida de que estão sendo traídos e roubados enquanto passam necessidades que nunca experimentaram antes. A crise econômica que o país atravessa, com a renda estatal do petróleo insuficiente e declinante, incapaz de suprir as necessidades básicas da população, fez com que o Palácio Miraflores cortasse orçamento nacional em algo em torno de 63 por cento (em números reais), diminuído em cerca de 20 por cento em relação ao ano anterior, isso corrigido com uma inflação anual de 56 por cento.

            Mas a minoria educada e relativamente informada sabe que Caracas envia mais de 100.000 barris por dia de petróleo sob a forma de produtos derivados de sua destilação a Cuba, o que dá um envio de mais de 6,5 bilhões de dólares por ano. Tal subsídio permanece intocável, para desespero de qualquer venezuelano patriota, o que tem gerado questionamentos sobre as verdadeiras prioridades do “socialismo bolivariano”.

            Recentemente, o assessor político Orlando Viera-Blanco fez um verdadeiro desabafo, no Canadá, ao declarar à mídia que “o envio de tantos recursos a Cuba é o maior já visto da história do país desde a independência até hoje e que a intocabilidade do ‘acordo energético’ com Havana funciona como se a Venezuela fosse uma espécie de colônia cubana, uma vez que o país se encontra exatamente num estado de sujeição econômica a Cuba, que, todavia, também é ideológica e funcional”.

            Coincidentemente, o país sulamericano enfrenta uma crise econômica sem precedentes, que obriga milhões de venezuelanos a enfrentar longas filas diárias para comprar alimentos, com índices de escassez jamais vistos anteriormente na Venezuela. A falta de farinha de trigo, por exemplo, faz com que as padarias do país inteiro limitem a oferta a apenas dois pães pequenos por pessoa. Com os remédios a situação não é diferente, embora muito mais grave, com a saúde pública já comprometida e de baixa qualidade pela ação de milhares de “médicos cubanos”, tornando-se cada vez mais catastrófica, com as farmácias e dispensários estatais apresentando a falta absoluta de cerca de 40 por cento dos medicamentos considerados básicos.

            Tamanho desabastecimento é consequência direta da insuficiência da renda petroleira, que sempre alimentou o imenso apetite da “revolução bolivariana” voltado às maciças importações necessárias para manter cheias as prateleiras dos supermercados, num país que se tornou absolutamente dependente da exportação petrolífera, mais ainda depois de 14 anos de sistemática destruição socialista do sistema produtivo do primeiro setor (agropecuário) e do segundo setor (industrial), como explica a maioria dos economistas locais e internacionais.

            No entanto, a pesar da enorme escassez de moeda forte e sem reservas consideráveis delas, o regime “socialista bolivariano” de Caracas optou em apertar o cinto, não do governo, mas indefinidamente dos venezuelanos e deixar incólume o ralo por onde se esvai importante parcela do PIB nacional em direção a Cuba, uma ilha miserável e paupérrima que quase nada produz, também sob a sanha “socialista” dos Castros.

            Alguns analistas coincidem ao afirmar que essa situação reflete o tamanho da dependência do regime de Maduro em relação ao regime castrista, que possui um enorme contingente de cubanos diretamente inseridos na máquina estatal e nas Forças Armadas da Venezuela, fazendo com que a ilha caribenha seja na verdade o que assegura o poder de Maduro. Tem-se a impressão que, no momento em que Maduro ou outro dirigente qualquer deixe se sustentar a ilha, sua estabilidade política perderá consistência e os elementos cubanos infiltrados no regime de Maduro serão perfeitamente capazes de aplicar um golpe de estado e substituir qualquer dirigente que venha a agir nesse sentido. Maduro construiu e consolidou seu poder graças aos Castros, em virtude dessa “assessoria política e militar” cubana e aos sistemas de espionagem e de segurança ideológica do regime chavezista montados e administrados por Cuba na Venezuela. Como sempre ocorre nos socialismos, a reduzidíssima burguesia do politiburo ‘cubano-venezuelano’, que está vivendo como “novos ricos” a custa do sacrifício da população e que realmente está sendo financiada pelo grosso dos petrodólares da exportação petroleira da Venezuela.

            Também é o que pensa o diretor do Instituto de Estudos Cubano-Americanos da Universidade de Miami, o professor Jaime Suchlicki, que afirma: “Cuba mantém na Venezuela um contingente que é essencial à sobrevivência do regime socialista de Maduro. Não são militares, mas são muito pior do que isso: são agentes de segurança, de inteligência e assessores políticos, com poderes especiais inclusive para matar. Portanto, sob certa extensão, Cuba exerce um controle sobre o país, agindo nas estruturas de governo da Venezuela e já se tornou muito difícil para Maduro ou qualquer outro dirigente se ver livre desta influência e controle cubano”.

            Recentemente, numa clara manifestação desse compromisso – que é considerado por muitos venezuelanos uma traição à pátria – Maduro e Raúl Castro reafirmaram a “cooperação econômica” entre os dois países, durante uma reunião funcional, ocorrida em Havana por ocasião da IIa Cúpula da Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (CELAC), a qual também contou com a presença da presidente brasileira.

            Os governos de Cuba e Venezuela mantêm tal “convenio” que engloba “acordos de natureza diversa”, que inclui o energético pelo que e ilha recebe cerca de 100.000 barris diários de petróleo e “paga” parte desse óleo com os “serviços prestados na Venezuela” por mais de 30 mil cubanos, cujo custo para Caracas se situa em torno de 200 mil dólares per capita.

            Tamanha quantidade de recursos que Caracas envia a Havana compete diretamente com o que a Venezuela necessita para abastecer e investir em áreas sociais prioritárias como saúde, segurança pública, educação, etc., serviços públicos de péssima qualidade no país.

            A pesar de, no Brasil, a situação ainda estar longe da existente na Venezuela, é incompreensível que a Presidente brasileira, Dilma Roussef, através do seu banco estatal BNDES envie para Cuba, praticamente a fundo perdido, algo em torno de 2,4 bilhões de reais de capital pertencente aos brasileiros para a construção do porto marítimo de Mariel, sob a alegação venal de que empresas brasileiras serão as beneficiárias finais com grande retorno de divisas.

            O valor do subsídio venezuelano a Cuba daria, por exemplo, para solucionar a grave crise energética do país – eivado de apagões e racionamentos de eletricidade –, ou para contratar mais de 80 mil policiais que a Venezuela precisa para tentar atingir os padrões básicos internacionais de segurança pública e deixar de ser um país que se tornou em um dos mais perigosos do mundo para se viver. Todavia, essa quantidade enorme de recursos é gasta para “contratar”, a peso de ouro, agentes cubanos para funcionarem como polícia ideológica junto à população – que vive cada vez mais com medo do regime, exatamente como em Cuba – e para espionar a oposição e detectar qualquer manifestação de inconformidade nos quartéis, numa prática que se intensificou quando Maduro chegou ao poder no início do ano passado, através de uma eleição que se acredita ter sido amplamente fraudada.

            O Brasil, a cereja do bolo, latinoamericano, para o bando de esquerda, segue o mesmo trajeto em direção ao “sucialismo” com a coligação PT-PMDB-Nanicos no poder e uma discreta colaboração do PSDB.  A infraestrutura do país é deficiente, o que faz com que cerca de 20% da produção de grãos e hortifrutigranjeiros se perca entre o local de produção e o embarque em seus portos caóticos e, mesmo assim o governo de Brasília é pródigo em enviar recursos para Cuba e outras ditaduras africanas, e a perdoar-lhes as dívidas.

            Na raiz de todas essas distorções está na baixa escolaridade e educação de brasileiros – e pior ainda dos demais sulamericanos –, que circunscreve uma cidadania de baixíssima qualidade, interessada apenas em receber bolsas do estado, mas que têm a capacidade de votar e serem votados, o que determina que os políticos e as políticas desses países sejam, respectivamente, os mais incapazes e ineficientes e as mais retrógradas e corruptas do planeta.

            Muitos iludidos com o socialismo, creditam ao bloqueio econômico estadunidense a Cuba, a razão de o país insular do Caribe ser tão pobre e miserável. Mas ao que se sabe, não existe bloqueio algum dos EUA em relação à Venezuela, que, no entanto escorrega ladeira abaixo do socialismo para em breve se tornar uma nação tão pobre e miserável como a que no momento a domina.

 

 

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